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Eventual queda de Weintraub traz alegria e medo da escolha de alguém inacreditavelmente pior

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Ministro Abraham Weintraub é conhecido pelos atos que mais atrapalham que ajudam à Educação. Foto: reprodução/Youtube

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, está com a cabeça na guilhotina há dias, dizem aliados. Mas a gota d’água, infelizmente, não tem a ver com a incompetência latente dele e isso funciona como um sinal de alerta adicional. Até por que, se este fosse o critério, não restaria ninguém do staff do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no governo – nem ele próprio.

A eventual saída de Weintraub do governo será um gesto de paz do presidente, que vem sendo acuado por todas as partes. Neste contexto, caiu muito mal nas hostes palacianas o fato de o ministro/demissionário ter ido a uma manifestação antidemocrática em Brasília, no domingo (14). Não custa lembrar que o titular da “Educação” é o mesmo que no dia 22 de abril defendeu a prisão dos “vagabundos do Supremo” em reunião ministerial.

Weintraub integra o grupo de ministros de Bolsonaro que formam a ala ideológica. São os queridinhos dos filhos do presidente, principalmente do vereador Carlos (Republicanos-RJ) e do deputado federal Eduardo (PSL-SP). A lista inclui ainda como expoentes Damares Alves (Mulher e Direitos Humanos) e o chanceler Ernesto Araújo. Todos seguem a linha ideológica inspirada pelo ideólogo Olavo de Carvalho.

Mas por que estou lembrando isso? Simplesmente para dizer que a saída de Weintraub não quer dizer a busca por um nome técnico interessado em trazer melhorias para a Educação. Ou alguém lembra quem foi o antecessor do atual ministro? O nada saudoso Ricardo Vélez Rodriguez não diferia em muito do atual. Quer dizer, apesar de colombiano, ao menos sabia conjugar melhor o verbo haver.

A gestão do Ministério da Educação sob Bolsonaro faz jus à promessa dele de desconstruir tudo antes de começar a construir. Os atos, até agora, mostram a primeira diretriz como único propósito. O exemplo mais recente foi a tentativa frustrante de nomear reitores biônicos para as universidades. Isso em plena vigência de uma Constituição forjada na democracia.

Abraham Weintraub durante depoimento na comissão de educação da Câmara. Foto: Lula Marques

O Enem promovido sob o comando de Weintraub foi vexatório, com milhares de inconsistências nas notas. Um problema que se estendeu pelo Sisu, prejudicando milhares de alunos. E neste ano, o que fez o “competente” ministro diante da pandemia? Ele decidiu que as provas não seriam adiadas e disse em alto e bom som que o Enem não foi criado para corrigir injustiças sociais. Um erro histórico terrível.

E não pára por aí. Passado quase um ano e meio, o ministro não contribuiu positivamente para a aprovação de um substituto para o Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica). O gestor, após dois anos de discussões no Congresso, causou espécie ao dizer aos parlamentares que mandaria um novo projeto para o Legislativo.

Não faz muito, Weintraub quis queimar 3 milhões de livros didáticos sem uso que estavam guardados em um galpão, em São Paulo. A tese era a de que os livros traziam “doutrinação” ideológica. Não é de admirar que as posições tresloucadas venham de um ministro cujo chefe, o presidente Jair Bolsonaro, veja os livros didáticos de hoje como “um montão de amontoado de muita coisa escrita”.

Dado o histórico do governo, não dá para esperar a escolha de alguém menos ruim que o atual para o cargo. Deus tenha piedade deste país.