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De Damares Alves a Milton Ribeiro: traço comum dos auxiliares de Bolsonaro é que “eles só pensam naquilo”

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Milton Ribeiro é o quarto ministro escolhido para a Educação em um ano e meio. Foto: Reprodução/Facebook

A tradição ocidental, ao se falar de sexo, manda dizer que Freud explica. O problema é que talvez nem o pai da psicanálise desse conta de explicar a fixação dos auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo tema. Pelo menos não da forma quase sempre doentia com que é tratado. Vai da “mamadeira de piroca” da campanha eleitoral à mais nova pérola do grupo. O novo ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, acredita que as universidades ensinam prática “sem limites do sexo”.

A frase foi dita durante uma pregação, em 2018, e o vídeo foi retirado do ar, mas qualquer um pode encontrá-lo facilmente nas redes sociais. “Aquilo que os mais antigos chamam de revolução sexual nos anos 60, com a chegada da pílula, e de uma certa maneira, de uma liberdade maior nessa área sexual, o mundo foi perdendo a referência do que é certo e do que é errado em termos de conduta sexual. Isso foi trazendo muitas dificuldades, porque agora a gravidez indesejada é mais um risco, e agora, recentemente, depois que passa esse período dos anos 60, para contribuir ainda mais em termos negativos para uma prática totalmente sem limites do sexo, veio a questão filosófica do existencialismo, em que o momento é o que importa. Não importa se é A, B, se é homem, se é mulher, se é esse ou aquele, se é velho ou se é novo. Não interessa. O que interessa é aquele momento”, criticou o ministro.

A pregação é daquele que se tornou o quarto ministro nomeado para comandar a pasta da Educação no país. Mas não dá mesmo para esperar coisa melhor de um governo cuja ministra Damares Alves (Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) decide gastar tempo com o planejamento de uma campanha para estimular a abstinência sexual. Isso em um país onde o que não falta são desrespeitos à mulher e aos direitos humanos, temas próprios da pasta comandada por ela.

Não custa lembrar que as referências doentias ao sexo permeiam praticamente todas as pastas. Não faz muito que o hoje ex-presidente da Funarte (Fundação Nacional de Artes), Dante Henrique Mantovani, conseguiu colocar em uma única frase rock, sexo e satanismo. Ele disse que “o rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto, que, por sua vez, alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo”. E disse tudo isso sem estar amarrado a uma camisa de força.

Essa coisa doentia é sintoma de um governo desprovido de valores que realmente interessem ao coletivo. Um exemplo disso é que estamos perto de completar dois meses sem um ministro da Saúde em meio à pandemia mais grave da nossa história e que já causou mais de 72 mil mortes no país. O fato é que não dava mesmo para esperar nada diferente de um governo eleito sob a bandeira fake do “kit gay” e da “mamadeira de piroca”.