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‘O amanhã não está à venda’ questiona estilo de vida e consumo diante da pandemia do coronavírus

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“O amanhã não está à venda” questiona relações de consumo e preservação do meio ambiente (Foto: Reprodução)

Desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus, modos de ser e relações de consumo têm sido postos à prova diariamente a partir de um novo cotidiano onde o indivíduo, socialmente distante de seus pares, passa a questionar o que realmente precisa. Em ‘O amanhã não está à venda’ (Companhia das Letras, 2020, ebook), Ailton Krenak aborda questões sobre isolamento e sobrevivência aliados à preservação ambiental a partir do ponto de vista das populações indígenas.

Lançada em abril, pouco mais de um mês após a primeira morte por covid-19 no Brasil, a obra confronta relações de consumo e a preservação do meio ambiente. “Quando engenheiros me disseram que iriam usar a tecnologia para recuperar o Rio Doce, perguntaram a minha opinião. Eu respondi: ‘A minha sugestão é muito difícil de colocar em prática. Pois teríamos que parar todas as atividades humanas que incidem sobre o corpo do rio, a cem quilômetros nas margens direita e esquerda, até que ele voltasse a ter vida’. Então, um deles me disse: ‘Mas isso é impossível’. O mundo não pode parar. E o mundo parou.”

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Ailton Krenak é considerado um dos maiores pensadores indígenas da atualidade. No livro ele também levanta questões sobre a falsa promessa de ‘volta à normalidade’. “Tem muita gente que suspendeu projetos e atividades. As pessoas acham que basta mudar o calendário. Quem está apenas adiando compromisso, como se tudo fosse voltar ao normal, está vivendo no passado […]. Temos de parar de ser convencidos. Não sabemos se estaremos vivos amanhã. Temos de parar de vender o amanhã”, avalia. 

‘O amanhã não está à venda’ é um ensaio brevíssimo. Está disponível para download gratuito no site da Amazon.