Press "Enter" to skip to content

Dallagnol deixa a Lava Jato, antes que ela acabe

Compartilhe
Com trabalho questionado no âmbito jurídico, procurador da República Deltan Dallagnol deixa o comando da Força-tarefa da Operação Lava Jato.
Deltan Dallagnol alegou questões familiares para deixar o comando da Força-tarefa. Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP

O procurador da República Deltan Dallagnol anunciou a saída do comando da Força-tarefa da Operação Lava Jato. O comunicado foi feito por meio das redes sociais, nesta terça-feira (1º). Em vídeo, ele alegou questões pessoais para a saída, que ocorre em um período crítico no embate entre o grupo e a Procuradoria-Geral da República (PGE).

À frente do cargo, o procurador assinou as denúncias de alguns dos mais representativos políticos e empresários do país e, mais recentemente, viu o legado da operação ser ofuscado pela “Vaza Jato”. O caso do ex-presidente Lula (PT) foi o mais emblemático, por ser tido como caso típico de lawfare. Serviu para retirar o petista da campanha eleitoral de 2018, com a condenação sem provas no caso do tríplex do Guarujá (SP).

Em um vídeo postado na internet, Dallagnol apresentou como justificativa para a saída a necessidade de dar mais atenção à filha, de 1 ano e 10 meses. Ela apresentou, segundo o explicado por ele, sinais de regressão no desenvolvimento e que, por isso, precisaria dedicar mais tempo à família. “Depois de anos de dedicação intensa à Lava Jato, eu acredito que agora é hora de me dedicar de modo especial pra minha família”, afirmou Deltan.

Leia também: Justiça anula segunda decisão de Moro em menos de uma semana

A saída ocorre dias depois de o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) arquivar denúncia protocolada contra Dallagnol por causa do episódio do PowerPoint. A defesa do ex-presidente Lula (PT) alegou abuso por parte do procurador. O julgamento levou mais de quatro anos para acontecer e acabou sendo arquivado no mês passado por prescrição. Antes disso, o julgamento foi adiado 42 vezes.

A defesa do ex-presidente, então, lembrou frase do coordenador da Lava Jato, de 2016, alegando que 97% dos casos de corrupção não são punidos por causa da prescrição provocada por recursos protelatórios.

Substituto

O procurador da República no Paraná Alessandro José Fernandes de Oliveira deve assumir as funções de Deltan Dallganol. A operação foi responsável por um modelo de persecução criminal que influenciou o trabalho desenvolvido em praticamente todos os estados do país.

A estrutura da força-tarefa da Lava Jato no Paraná foi criada em abril de 2014, um mês após a primeira operação ter sido deflagrada. Desde então, segundo o documento enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR), os trabalhos foram renovados sete vezes – o prazo atual termina em 10 de setembro.

Além do processo no CNMP, Dallagnol vivia às turras com o procurador-geral da República, Augusto Aras. Em julho, durante evento, o mandatário disse ser necessário “corrigir os rumos” para que “lavajatismo não perdure”.