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Enquanto Bolsonaro reclamava da “pecha” de genocida, morria de covid-19 o chefe da Inteligência do Exército

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Morreu de covid-19 o chefe da Inteligência do Exército, general de brigada Carlos Augusto Fecury Sydrião Ferreira, de 53 anos.
Em live, presidente exibiu caixas de cloroquina que ele diz ter tomado. Foto: Reprodução/Youtube

Morreu, nesta terça-feira (8), o chefe do Centro do Inteligência do Exército (CIE), general de brigada Carlos Augusto Fecury Sydrião Ferreira, de 53 anos. Ele estava internado, há 10 dias, no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília. A morte causada pela covid-19 ocorre no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reclamou da “pecha” de genocida, fruto, segundo ele, da insistência para que as pessoas tomem cloroquina.

O general ocupava o cargo desde julho de 2019. No mês passado, Fecury representou o Exército na delegação liderada pelo ex-presidente Michel Temer (MDB). O grupo viajou ao Líbano em missão de apoio depois que uma explosão deixou quase 200 vítimas, mais de 6 mil feridos e cerca de 300 mil desabrigados. O militar era natural de Fortaleza, no Ceará. Fosse verdadeira a premissa escancarada pelo presidente, bastaria ao general ter tomado hidroxicloroquina e estaria salvo.

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O grande problema na premissa do presidente é que não existe um único estudo confiável que sustente os argumentos adotados por ele. “Eu estou com a pecha de genocida por falar da cloroquina e por alguns acharem que eu devia fazer algo mais. Como, se eu fui impedido em muitas coisas pelo STF (Supremo Tribunal Federal)?”, questionou Jair Bolsonaro, distorcendo a orientação expressa pela Suprema Corte.

O presidente fez a avaliação durante encontro, promovido no Palácio do Planalto, com integrantes do movimento Médicos pela Vida, formado por defensores da substância. Em discurso, ele disse ainda que estudos recentes apontam que, caso tivesse sido utilizada desde o início da pandemia, a cloroquina poderia ter reduzido em até 30% o número de óbitos no país. O grande problema da premissa é que não há referência à origem do estudo.

“​Hoje, muitos estudos mostram que a cloroquina pode, sim, evitar que pessoas sejam levadas para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ou até mesmo sejam intubadas. E, pelo o que tudo indica, alguns estudos também chegaram ao meu conhecimento de que o número de óbitos poderia ser evitado em até 30%. Lógico que os estudos não estão consolidados ainda”, disse. A conclusão clara é que se mais pessoas seguirem as teses do presidente, o destino poderá ser o mesmo do general.