
O ex-prefeito de Sousa e pré-candidato a deputado federal pelo PSB, Fabio Tyrone (PSB), segue inelegível. Condenado em maio de 2024 por agressão à sua ex-namorada, a advogada Myriam Gadelha, ele ainda tenta recorrer da condenação. Nesta semana, foi mais uma vez derrotado quando a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou os embargos apresentados pela defesa.
Uma disputa de narativas vem sendo travada a partir deste último capítulo. Há meias verdades, mas nada muda a atual situação de Tyrone. A preço de hoje está inelegível.
O marketing político do pré-candidato tem adotado uma meia verdade como contraofensiva para afirmar um discurso que luta para transparecer resiliência, mas é tão sólido quanto um castelo de areia.
Apoiadores de Tyrone trataram de divulgar como fake a notícia de que o processo teria transitado em julgado. A questão é que a notícia amplamente divulgada não foi essa. Disseminam a meia verdade com intuito de confundir a opinião pública. O que a imprensa divulgou foi a decisão do STJ que mantém Tyrone inelegível. Então é verdade que ele tem, sim, possibilidade de recurso, assim como também é fato concreto sua condição de inelegibilidade.
Diante da conjuntura atual de união no país para enfrentar a violência contra mulheres e das provas contundentes do crime, é muito difícil reverter o quadro político do sujeito. Assim, há duas opções: colocar um ‘poste’ de última hora e indicar os votos ou ir até o fim, enfrentando as consequências. Ele pode sair candidato mesmo inelegível e recorrer, pondo uma candidatura sub judice com recurso até a última instância da Justiça Eleitoral. Caso saia derrotado, os votos são invalidados. E aí entra o ponto crítico, pois engana-se quem pensa ser problema só de Tyrone.
Condenado e inelegível, Tyrone segue em ritmo de pré-campanha, assim, como se nada. A questão é que seus votos – ou a falta deles – podem fazer falta para a chapa de candidatos do PSB.
Quando o partido prepara os nomes que deverão concorrer ao cargo de deputado federal, há uma previsão eleitoral de votos. Esse cálculo é essencial para a estratégia do partido, de quantos candidatos poderão ser eleitos, quem entra forte para a disputa e quem vai só compor, fazendo a chamada ‘cauda’. No PSB, Gervásio Maia vem para reeleição, enquanto Tyrone e Pollyanna Werton disputam a segunda vaga.
Caso Fabio Tyrone opte pela via de colocar um substituto, haverá perda eleitoral. Apesar de ter controle sobre suas bases, os votos não são totalmente transferidos. A outra opção mantém os votos para ele, mas tendo sua candidatura cassada, todos os seus votos seriam invalidados. O impacto disso recairia na chapa, podendo prejudicar a eleição dos demais.
Do futuro de Tyrone talvez nem ele saiba. A esta altura, estica a corda e segue no jogo. Do passado, todos sabem.