
Uma mesa de almoço entre amigos pode naturalmente ser composta somente por homens. Um político pode resolver promover um almoço e convidar apenas seus amigos mais próximos, eventualmente apenas homens. Mas quando um ministro de Estado, ao resolver conversar com jornalistas que atuam no seu estado de origem, resolve convidar unicamente profissionais de imprensa do sexo masculino, dá um sonoro sinal de que sua visão tem corte de gênero. Assim fez Gustavo Feliciano, ministro do Turismo do Brasil e filho do deputado federal Damião Feliciano (União-PB), ontem (25), quando reuniu uma mesa composta apenas por homens da imprensa paraibana para tratar de ações do ministério.
A foto da mesa composta pelo representante do Executivo e repleta de homens que atuam no chamado ‘quarto poder’ diz apenas sobre quem promoveu o evento, pois os convidados, muitos deles colegas sérios e por quem guardo respeito, não têm culpa alguma se o ministro resolveu excluir as mulheres da imprensa paraibana. Quem recebe convite apenas atende ou não. Ninguém pede lista de convidados para saber como será o evento.
Lembro que além das muitas professoras queridas no curso de Comunicação, tive tantas outras no batente. Minha primeira editora-chefe no jornal impresso era uma mulher, Angélica Lúcio, por quem até hoje tenho carinho de aluno. Na mesma redação também fui aluno de Sony Lacerda, Andréa Alves, Neide Donato e Eliz Monteiro. Depois, em outra redação, fui aluno de Conceição Coutinho, Denise Vilar, Renata Ferreira e Albiege Fernandes como líder maior. Além das chefes, também aprendi com colegas mulheres que hoje tenho como referência, principalmente na cobertura política, como Cláudia Carvalho e Angélica Nunes.
Ao perceber a ausência de mulheres do evento com o ministro por motivo de exclusão deliberada, vejo além do homem limitado em sua visão, que optou por cortar e silenciar profissionais de imprensa de um espaço que lhes deveria ter sido assegurado. Falhou também o Estado, pois em torno de um ministro limitado e totalmente destoante do governo do presidente Lula, deveria haver ao menos uma equipe capaz de prever crises, porque as limitações do ministro, aqui na Paraíba, todos conhecemos, mas a partir do momento em que ele realiza esse tipo de agenda, a vergonha passa a ser também institucional.