Anderson Pires é formado em Comunicação Social – Jornalismo pela UFPB e publicitário.
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Churrasco: disso o gado entende
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Pensei muito em debater sobre churrasco, mas para quê? Acho que todo brasileiro gosta. Não sei se é uma questão de memória afetiva, que remete a sabores primitivos. Afinal, carne com gosto de fumaça talvez tenha sido o primeiro alimento feito após a descoberta do fogo. Não sei! É quase uma unanimidade nacional. Tirando veganos e vegetarianos que torcem a cara quando falamos de carne, os demais são todos fãs do bom churrasco.

Esse arrodeio todo é para chegar no ponto: o churrasco de Bolsonaro para comemorar dez mil mortes pelo COVID-19, mas que o presidente resolveu dizer que não passava de um fake. Eu acredito que tudo isso é verdade. Temos um presidente que é como aquele amigo inconveniente capaz de fazer piadas sobre a morte e no final dizer que era só brincadeira.

Parece absurdo essa aparente justificativa? Calma, vou explicar o porquê. Bolsonaro é o reflexo da mais alta falta de apreço que se pode ter pelo ser humano. Isso não é porque seja louco como alguns tentam qualificar ou vítima de demência ou psicopatia. Ele é simplesmente ruim, mau. Quem me lembrou disso foi uma amiga. Ela disse que, depois que loucura serviu de desculpa, esqueceram que a ruindade existe.

Alguns podem perguntar: mas só ruindade seria capaz de tanto? Respondo: óbvio, claro que sim. Tem algo pior do que um ser humano desprovido de senso de bondade? Alguém assim, que até quando pensa estar fazendo uma brincadeira, na verdade só consegue construir maldade e exalar falta de empatia. No caso de Bolsonaro, é um exemplo no mais alto grau. É algo intrínseco. Nem com os filhos ele consegue transmitir qualquer exemplo bom. Basta ver que todos seus filhos adultos são reprodutores do que se tem de pior. Como diria Paulo Freire, o oprimido será um opressor. Os filhos de Bolsonaro são reflexo daquilo que receberam ao longo da vida.

Pois vejamos: subjetivamente, não é o filho 01 de Bolsonaro que defende as milícias. Nem foi o 02 que estabeleceu o uso de fakes para ludibriar a população e obter sucesso político. Muito menos o 03 quem criou o conceito de que a democracia e instituições do Estado devem ser atacadas e destituídas por meio da força. Até o 04, por mais insignificante que seja, não foi quem criou o desrespeito pelas mulheres e a autoafirmação para esconder complexos. Essas características têm uma gênese e todas são espelho de uma só pessoa: Jair Messias Bolsonaro.

Como diz o ditado: o de casa vai à praça. Quando essa praça tem a dimensão de um dos maiores países do mundo, o efeito pode ser devastador. Infelizmente, Bolsonaro e sua prole não são proprietários exclusivos da maldade. Existe muita gente que carrega essa mesma carga negativa. Por exemplo, pessoas que corroboram com sua proposta de churrasco, porque são tão abjetos quanto. Gente que não tem respeito pela vida, de onde não podemos esperar nada que os façam ver o outro com compaixão.

Essa legião é quem banaliza a maldade. Falam de farra até em velório. São os mesmos capazes de encontrar o presidente em seu jetski, desconsiderar a morte de mais de dez mil pessoas decorrentes de uma pandemia e oferecerem a picanha que ele não pôde ou não quis fazer. Os iguais se identificam. Para esses, toda hora é de churrasco e não importa a carne. Se for de gente, tanto faz.

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bolsonaropolítica