Jornalista, fotógrafo e consultor. Escreve desde poemas de amor a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor de Emagreça bebendo cerveja. Twitter: @gesteira.
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Novo marco legal do saneamento é a nova mentira da República
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Novo marco legal do saneamento básico entrega um serviço essencial e de saúde pública aos interesses privados (Foto: Felipe Gesteira)

Disseram que a Operação Lava Jato iria varrer a corrupção no Brasil; disseram que o impeachment de Dilma Rousseff tinha base legal; disseram que a flexibilização das leis trabalhistas iria gerar mais empregos; disseram que Jair Bolsonaro era honesto; tiveram a coragem de dizer que a escolha entre Bolsonaro e Haddad era “muito difícil”; agora, dizem que o novo marco legal do saneamento básico é necessário para universalizar os serviços de água e esgoto e melhorar a qualidade de vida das pessoas mais pobres.

Mas tenha santa paciência! A cretinice não tem limites. Logo com saneamento básico, como se fizesse algum sentido um serviço essencial, que precisa ser prestado a qualquer custo, possa ser entregue aos interesses privados, sob o risco de queda nos investimentos aonde a entrega não gere o devido lucro.

A pandemia do novo coronavírus expôs mazelas Brasil afora. O lema “lave as mãos” nem sempre podia ser seguido pela falta de água encanada. Água limpa saindo da torneira é um luxo que não está acessível a todos os brasileiros.

Também pela pandemia, e por toda a preocupação gerada por ela, passou essa “boiada” pelo Senado Federal. Entregar o serviço de saneamento básico à iniciativa privada é totalmente diferente das concessões de aeroportos, em que as empresas operam o serviço, ou mesmo das privatizações da telefonia, onde há ampla concorrência. Privatizar o esgoto é um gargalo maior até que as privatizações de energia elétrica, pois além de criar lotes de brasis para donos únicos e muitas vezes estrangeiros, quem não pagar pelo serviço sequer terá a Justiça ao seu lado.

A obrigatoriedade no serviço privado e os interesses passam longe do bem-estar das pessoas. Como exemplo, tomemos os casos dos hospitais privados que, mesmo diante de uma pandemia, se negam a abrir seus leitos para o serviço púbico. A privatização do saneamento básico será mais uma entrega de galinheiro às raposas.

Metade da população do país não tem acesso a serviço de esgoto, e 35 milhões de brasileiros não têm água limpa na torneira de suas casas. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 15 mil pessoas morrem por ano e 350 mil são internadas no Brasil por falta de água tratada. E agora, para que a conta vire, o pobre vai ter que dar lucro.

O mais impressionante são os ditos moderados, parte da imprensa, e os políticos que se colocam à esquerda, mas que na hora de votar, fecharam bem pianinho com a proposta da privatização. O buraco da política no Brasil é um grande esgoto a céu aberto.

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