Jornalista, fotógrafo e consultor. Escreve desde poemas de amor a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor de Emagreça bebendo cerveja. Twitter: @gesteira.
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Ricardo deve sair candidato a deputado federal em 2022, caso esteja elegível
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Ex-presidente Lula participou do ato de filiação que representou o retorno do ex-governador Ricardo Coutinho ao PT (Foto: Reprodução/Facebook)

O retorno do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, ao Partido dos Trabalhadores nessa quinta-feira (30) envolveu um processo de pacificação e ampliação de forças para compor uma frente maior de lideranças contrárias ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas Eleições 2022. De acordo com informações repassadas ao blog por duas fontes ligadas à Executiva Nacional do partido, o acordo é para que Ricardo saia candidato a deputado federal, liberando a vaga de senador na chapa majoritária para melhor adequação junto ao governador João Azevêdo (Cidadania).

A costura é mesmo típica do ex-presidente Lula (PT). Ele que trouxe para perto partidos mais à esquerda, como PSOL e PCdoB, e reacomodou outras lideranças no xadrez político, como fez com o governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), não dividiria o palanque na Paraíba por conta da rixa entre Ricardo e João.

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Engana-se quem pensa que deixar a disputa pelo Senado para sair deputado federal é pouca coisa. A própria presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann (PT-PR), fez esse caminho nas eleições de 2018. Ricardo chega no PT com o peso político de ter sido governador do estado e a expectativa de somar votos para que o partido consiga eleger três deputados. Seriam dois a mais do que tem acontecido historicamente, o que garantiria, também, maior participação no fundo eleitoral.

Inelegibilidade

Outro motivo para Ricardo sair candidato à Câmara dos Deputados é o alto risco de estar inelegível nas próximas eleições. Ricardo foi condenado no dia 10 de novembro do ano passado pelo Tribunal Superior Eleitoral por suposto abuso do poder político para vencer a reeleição ao Governo da Paraíba, em 2014. Os oito anos de inelegibilidade do agora petista devem ser contados a partir das eleições de 2014. Caso consiga recorrer deste processo para sair candidato, Ricardo também precisa que os deputados estaduais derrubem na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) a reprovação de suas contas por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O processo está pronto para ir a plenário e há quem considere este embate até mais difícil de ser vencido do que aquele no TSE.

Ainda de acordo com as fontes ligadas à Executiva Nacional do PT, Ricardo aceitará, caso esteja inelegível no último dia de registro da candidatura, retirar seu time de campo, pois concorrendo e tendo os votos anulados, o dano causado ao partido seria maior do que se não concorresse, correndo o risco até de a Paraíba não eleger nenhum deputado federal do PT devido ao coeficiente eleitoral.

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