Cultura - -
Virada Cultural Jacarapé Vive reúne artistas e moradores contra a especulação imobiliária em João Pessoa
Termômetro da Política
Compartilhe:

Moradores das comunidades tradicionais do litoral sul de João Pessoa se unem mais uma vez para celebrar a resistência e a permanência em seus territórios. Após o sucesso da Virada Cultural da Penha no final de 2025, o movimento político-cultural chega à comunidade de Jacarapé nesta sexta-feira (30), com programação que combina cultura popular, luta territorial e defesa do bem-viver.

(Imagem: Divulgação)

A segunda edição da Virada Cultural Jacarapé Vive será realizada a partir das 15h30, com trilha de bicicleta, e as apresentações artísticas começam às 18h, na área de asfalto na ladeira de acesso à praia de Jacarapé. As atrações confirmadas incluem Sambatuqueiras, Oliveira de Panelas, Seu Pereira, Escurinho e Grupo Raízes PB.

Tereza Cristina, presidenta da Associação de Moradores e Ambientalistas de Jacarapé (Aspamja), explica o significado do evento: “A Virada Cultural Jacarapé Vive é um momento de celebração e resistência. É um grito popular para dizer que estamos aqui e aqui vamos permanecer. Somos pescadores, de família de pescadores, e ambientalistas, moramos e cuidamos desse território. Não vamos sair para que o Polo Turístico Cabo Branco ocupe o nosso lugar”.

Leia também
Operação prende suspeitos de montar ‘escritórios do crime’ para burlar SouGov e invadir contas de servidores públicos

A história de Jacarapé remonta aos funcionários da Secretaria da Agricultura que se estabeleceram na região em pequenas propriedades para trabalhar com agricultura. Essas posses foram sendo transmitidas de geração em geração ou comercializadas. Mais tarde, chegaram os pescadores — alguns contratados pelo estado ou em empreitadas para destocar e limpar a área, outros que usavam as caiçaras da beira-mar como apoio para guardar jangadas e equipamentos de pesca. Eles se fixaram inicialmente na “rua de cima” e, entre os anos 1960 e 1990, passaram a ocupar a beira-mar, formando a Comunidade Tradicional Pesqueira de Jacarapé.

Atualmente, 92 famílias dividem o território entre a faixa estreita entre a areia e o mangue e a rua de cima. Desde 2002, a comunidade sofre pressão pela retomada das obras do Polo Turístico do Cabo Branco. Apesar de um acordo firmado com alguns moradores pelo Ministério Público Federal, a maioria dos pescadores rejeita a saída e defende o direito de permanecer na beira-mar. Em 2018, a pedido da Defensoria Pública do Estado, a comunidade obteve laudo antropológico que atesta sua tradicionalidade e garante os direitos previstos em lei.

O texto oficial do movimento, divulgado no Instagram, reforça o caráter político e comunitário da iniciativa: “É dessa esperança prática e desse amor vida comunitária, que lançamos a segunda edição do movimento político-cultural chamado Virada Cultural. Se o primeiro foi na Penha, com um sucesso tremendo, o segundo chega para balançar as estruturas da Comunidade de Jacarapé, envolvendo o povo local e toda a cidade de João Pessoa em torno da causa de uma cidade que atenda, com bem-viver, garantias e oportunidades a nossas comunidades afro-indígenas ancestrais.”

Como chegar

Vem pela PB 008 sentido litoral sul, entra à esquerda logo após o Batalhão da Polícia Ambiental, sentido Restaurante Jacarapé.

Compartilhe:
Palavras-chave
jacarapéjoão pessoa