O Canal Brasil dedica sua programação deste domingo (22) ao ator Juca de Oliveira, falecido no sábado (21) aos 91 anos. Das 16h ao início da noite, a emissora exibirá obras que marcaram a carreira do artista, conhecido do grande público pela interpretação do médico Augusto Albieri na novela “O Clone”, de Glória Perez, exibida pela TV Globo entre 2001 e 2002.

Às 16h, será reprisada uma entrevista concedida por Juca à atriz Bárbara Paz no programa “Arte do Encontro”, de 2016. No bate-papo, o ator refletiu sobre sua trajetória, a relação com a dramaturgia e temas pessoais, como religião e passagem do tempo. Juca e Bárbara também realizaram uma leitura dramatizada da peça “A mulher sem pecado”, de Nelson Rodrigues.
Em seguida, às 16h30, o canal apresenta o longa “O caso dos irmãos Naves”, dirigido por Luiz Sergio Person em 1967. O filme reconstitui um dos maiores erros judiciários da história brasileira, ocorrido durante o Estado Novo, quando dois irmãos mineiros foram presos, torturados, julgados e condenados por crime que não cometeram. Juca de Oliveira e Raul Cortez interpretaram, respectivamente, os irmãos Sebastião e Joaquim Naves.
O encerramento da homenagem, às 18h05, fica a cargo do premiado “Bufo & Spallanzani”, dirigido por Flávio R. Tambellini em 2001 e baseado na obra de Rubem Fonseca. “Juca de Oliveira é daqueles atores únicos e extraordinários que transforma a arte de atuar em algo simples e ao mesmo tempo sublime”, disse o diretor.
Natural de São Roque (SP), Juca de Oliveira cursou Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas abandonou a carreira após um teste vocacional indicar sua vocação para as artes cênicas. Na Escola de Arte Dramática de São Paulo, conheceu colegas como Aracy Balabanian e Glória Menezes.
Sua estreia ocorreu no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), onde atuou em peças como “O semente”, “O pagador de promessas” e “A morte do caixeiro viajante”. Em seguida, integrou o Teatro de Arena, trabalhando com Augusto Boal, Flávio Império e Paulo José em montagens como “Eles não usam black-tie” e “O filho do cão”, de Gianfrancesco Guarnieri.
Na televisão, alcançou grande popularidade em novelas como “Selva de pedra” e “O astro”, ambas da TV Globo. Em trabalhos mais recentes, integrou o elenco de “A regra do jogo”.
Após autoexílio na Bolívia durante a ditadura militar, retornou ao Brasil e atuou na TV Tupi de São Paulo, participando de programas como “Essa noite se improvisa” e “Em moeda corrente do país” e da novela “Nino, o italianinho”, de Geraldo Vietri.
Na TV Globo, interpretou papéis marcantes como João Gibão, em “Saramandaia”, e Santiago Moreira, pai e mentor da vilã Carminha (Adriana Esteves), em “Avenida Brasil”. Também participou de minisséries e programas especiais, como “Hoje é dia de Maria”.
Além de ator, Juca escreveu peças teatrais de sucesso, como “Melo male”, “Hotel Paradiso” e “Caixa dois”.
Membro da Academia Paulista de Letras, destacou-se como intérprete, autor e diretor de obras marcadas por olhar crítico, sensibilidade social e forte presença de público.
“Reconhecido como um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras, Juca de Oliveira construiu uma trajetória sólida e admirada no teatro, na televisão e no cinema. Membro da Academia Paulista de Letras, destacou-se como intérprete, mas também como autor e diretor de obras relevantes, marcadas por olhar crítico, sensibilidade social e forte presença de público”, afirma comunicado divulgado em nome da família do ator.
“Ao longo de sua carreira, participou de importantes produções teatrais, muitas delas de sua própria autoria, além de integrar elencos de novelas e programas televisivos de grande alcance nacional. Sua atuação sempre foi pautada pelo rigor artístico e pelo compromisso com a cultura brasileira”, completa o texto.
Com informações de O Globo.