O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, neste sábado (30), do lançamento oficial da plataforma Tela Brasil, o streaming público e gratuito dedicado ao audiovisual brasileiro. A iniciativa, coordenada pelo Ministério da Cultura e desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, tem como objetivo ampliar o acesso da população à produção nacional.

Durante o evento realizado na Cidade das Artes, na zona Oeste do Rio de Janeiro, Lula defendeu a plataforma como uma ferramenta de soberania cultural. “[A Tela Brasil] vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?”, questionou o presidente.
Lula criticou o volume de conteúdos estrangeiros de baixa qualidade disponíveis nas telas brasileiras e lamentou a falta de opções para a juventude conhecer a cultura do país. “A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver. O que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, disse.
O presidente também relacionou o projeto a outras ações de seu governo, como o MEC Livros, que já reúne mais de 25 mil títulos, e à política habitacional, que prevê bibliotecas em novos conjuntos residenciais. “Todo o conjunto habitacional que a gente entregar, nesse país, vai ter uma biblioteca para que a pessoa tenha acesso à cultura.”
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, explicou que a criação da Tela Brasil busca garantir o direito cultural ao povo brasileiro. “Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?”
Ela destacou que o audiovisual reúne diversas artes e representa a diversidade brasileira. “Todo mundo trabalha e tem essa representatividade. A nossa diversidade está no que a gente produz, só que o povo não tinha acesso.”
A ministra reforçou a importância de o povo se reconhecer nas histórias contadas. “O povo que se conhece, o povo que se vê, ele se fortalece, porque nossas histórias são lindas. Temos os povos originários, os povos africanos, os povos europeus, as pessoas que construíram esse país, as histórias que nunca foram contadas.”
A plataforma estreia com 555 obras audiovisuais brasileiras, incluindo 267 curtas-metragens, 139 longas-metragens, 85 médias-metragens ou telefilmes e 64 obras seriadas. O catálogo abrange desde produções de 1910 até títulos de 2025, com destaque para filmes como “A Hora da Estrela”, de Suzana Amaral; “Xica da Silva”, de Cacá Diegues; “Central do Brasil”, de Walter Salles; “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles; “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha; “Carandiru”, de Hector Babenco; e “Olga”, de Jayme Monjardim. Dezenove títulos que representaram o Brasil na disputa pelo Oscar também integram o acervo inicial.
O foco é a diversidade, com categorias como cinema negro, cinema indígena, produções dirigidas por mulheres, justiça climática e sustentabilidade. A categoria Africanidades reúne obras sobre trajetórias, memórias e experiências da população negra no Brasil.
Todos os títulos selecionados por edital público contam com audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras). A professora Luciana Peixoto Santa Rita, que participou do projeto pela UFAL, ressaltou: “Importante destacar que tem pesquisa no meio sobre acessibilidade. São obras com três recursos de acessibilidade, que envolvem também discussão sobre preservação e memória. Há soluções tecnológicas e soluções jurídicas sobre regulamentação. É política pública baseada em pesquisa e evidência”.
Para acessar a plataforma, o usuário precisa de conta ativa no Gov.br. Existem dois perfis: o Perfil Cidadão, para navegação individual e gratuita, e o Perfil Direcionado, para exibições coletivas sem fins comerciais em salas de aula, cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas e museus.
Inicialmente, a Tela Brasil funciona no navegador de computadores, com possibilidade de transmissão para Smart TVs. Os aplicativos para celulares Android e iOS serão liberados em até 30 dias.
Durante o evento, foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Cultura e a TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), para expandir a oferta e circulação de conteúdos audiovisuais brasileiros.
O projeto contou com investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025, que garantiu o licenciamento do catálogo, o desenvolvimento tecnológico próprio e ferramentas de acessibilidade.
Fonte: Agência Brasil