Os papéis Azul registraram uma queda superior a 70% nesta quinta-feira (8), acumulando uma desvalorização de 90% no período dos últimos cinco dias. Apesar da magnitude dos números, especialistas e a própria empresa indicam que o movimento não está atrelado a crises operacionais ou escândalos, mas sim a uma etapa técnica de seu plano de recuperação judicial.

Para viabilizar a reestruturação de suas obrigações, a Azul converteu parte de suas dívidas em ações. Na prática, isso significa que os credores deixam de receber juros para se tornarem acionistas da companhia. Para suportar essa transição, a empresa lançou uma oferta massiva de R$ 7,4 bilhões em ações ordinárias (com direito a voto) e preferenciais (sem direito a voto).
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A queda acentuada no preço unitário dos papéis é explicada pelo aumento drástico da base acionária. Ao todo, foram emitidas 723,9 bilhões de ações ordinárias e o mesmo volume de preferenciais. Segundo comunicado da Azul, a estratégia visa capitalizar a companhia por meio da “troca obrigatória de dívidas financeiras”.
A Azul recorreu ao Chapter 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos em maio de 2025, um mecanismo de proteção similar à recuperação judicial brasileira. De acordo com a empresa, a medida foi necessária após os “efeitos profundos da pandemia de Covid‑19, combinados a pressões macroeconômicas e setoriais” que elevaram o endividamento.
Em dezembro do ano passado, a Justiça americana aprovou o plano de reorganização, permitindo o avanço das etapas atuais. À época, a companhia afirmou: “Essa decisão reforça a consistência geral da reestruturação proposta, permitindo que a companhia avance para as próximas fases de implementação”.
A Azul destaca que, entre 2020 e 2025, adotou diversas medidas de captação de recursos, mas a instabilidade econômica e política no Brasil culminou na necessidade do protocolo de proteção judicial. A expectativa da diretoria é que a conclusão de todo o procedimento ocorra ainda neste ano.
Com informações de portal g1.