O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Investimentos, com sede em São Paulo. Com a decisão, todas as operações da gestora foram encerradas imediatamente. A medida atinge a instituição, mas não os fundos por ela administrados, que permanecem ativos e precisarão buscar novas empresas para assumir sua gestão.

Segundo o BC, a Reag Investimentos descumpriu “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”. A autoridade monetária afirmou: “Na prática, a autoridade monetária entendeu que a Reag não estava operando de forma adequada e segura, o que levou à decisão de interromper suas atividades para proteger investidores e o funcionamento do sistema financeiro”.
A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN). O BC destacou que a Reag se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial, com participação inferior a 0,001% do ativo total ajustado do SFN, o que indica baixo impacto sobre a estabilidade do sistema financeiro.
Leia também
Lula sanciona Orçamento de 2026 com veto de R$ 400 milhões em emendas parlamentares
“Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, informou o BC, acrescentando que continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, com possibilidade de aplicação de sanções administrativas e encaminhamento às autoridades competentes.
A Reag Investimentos atua como gestora e administradora de mais de 80 fundos de investimento e também na administração de patrimônio de pessoas físicas. A empresa é controlada pelo Grupo Reag, que inclui a Reag Capital Holding e a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (CIABRASF), cujas operações não são afetadas pela liquidação.
A Reag está no centro de duas investigações distintas. Ela é alvo da Operação Compliance Zero, que apura suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, com suspeita de participação na estruturação e administração de fundos usados para movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
A gestora também foi investigada na megaoperação Carbono Oculto, deflagrada contra o PCC em oito estados. Nesse caso, a Reag é acusada de gerir fundos utilizados pela facção para lavagem de dinheiro. Em setembro do ano passado, o fundador João Carlos Mansur renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag após a operação. Na ocasião, a empresa informou que suas acionistas controladoras fecharam acordo para vender sua participação de 87,38% à Arandu Partners Holding, formada pelos principais executivos da própria Reag, por valor estimado em R$ 100 milhões, com possibilidade de pagamento adicional variável atrelado ao desempenho nos próximos cinco anos.
Durante a Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (14), João Carlos Mansur foi alvo de mandados de busca e apreensão. A Polícia Federal também realizou buscas em endereços ligados ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seus parentes. A operação resultou na apreensão de carros, relógios de luxo e outros bens de alto valor, além de R$ 97,3 mil em dinheiro em espécie.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro pelo BC, após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões. A negociação, anunciada em março de 2025 por R$ 2 bilhões, foi rejeitada pelo BC. O caso ganhou dimensão nacional, com o ministro da Fazenda Fernando Haddad classificando-o como possível “maior fraude bancária” do país.
Com informações do portal g1.