A Mastercard Brasil executou garantias vinculadas a dívidas não pagas do Will Bank, subsidiária do conglomerado Banco Master, assumindo participações acionárias relevantes no Banco de Brasília (BRB) e na varejista online Westwing. A operação expõe as dificuldades financeiras do Will Bank, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central nesta quarta-feira (21), elevando a conta estimada a ser paga pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no caso Master para cerca de R$ 48 bilhões.

No BRB, a Mastercard adquiriu 33.684.706 ações, equivalentes a 6,93% do capital social total do banco público, incluindo 11.750.000 ações ordinárias (3,67%) e 21.934.706 ações preferenciais (13,21%). A companhia informou que não pretende alterar o controle acionário do BRB e planeja alienar as ações.
Já na Westwing, a execução transferiu cerca de 3,5 milhões de ações para a Mastercard, correspondentes a 31,87% do capital da empresa de e-commerce de móveis e decoração. Assim como no caso do BRB, a Mastercard declarou não ter interesse em manter-se como acionista e pretende vender a participação.
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A inadimplência do Will Bank levou a Mastercard a suspender, na terça-feira, as compras feitas com cartões de crédito emitidos pela instituição, afetando mais de 10 milhões de clientes. O Will Bank, ligado ao Banco Master, enfrentava negociações para venda, mas o Banco Central decretou a liquidação após o esgotamento de recursos, tornando-a “inevitável”.
As ações do BRB e da Westwing haviam sido oferecidas como garantia pelo Will Bank, e a execução ocorreu após o não cumprimento de obrigações financeiras. O movimento não representa uma entrada estratégica da Mastercard no capital das empresas, mas sim o resultado de uma alienação fiduciária.