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Nubank nega rumores de falência e especialistas destacam diferenças em relação ao caso Will Bank
Termômetro da Política
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Rumores sobre uma suposta falência do Nubank circularam pelas redes sociais após a liquidação extrajudicial da Will Financeira, gerando preocupações entre os mais de 112 milhões de clientes da instituição digital conhecida como “roxinho”. A própria empresa classificou as informações como falsas em nota publicada em seu site oficial: “a notícia de que o Nubank estaria falindo é falsa”. “Somos a maior instituição financeira privada do Brasil em número de clientes e uma das instituições com o menor número de reclamações”, declarou o Nubank.

Nubank opera como empresa de capital aberto na Bolsa de Nova York, sujeita a rigorosos padrões de transparência e governança (Foto: Divulgação)

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que os casos do Nubank e do Will Bank são “incomparáveis”. O advogado Rafael Mortari, sócio do Mortari Bolico Advogados, explica que o Nubank não integra nenhum conglomerado em crise, diferentemente do Will, que fazia parte da holding Master. “Nubank é topo e negócio principal da sua estrutura, não possui uma holding em crise que possa puxá-lo para baixo como no caso do Will com o Master”, afirmou Mortari.

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A crise do Will Bank teve origem na investigação da Polícia Federal contra a holding Master, que resultou na prisão do CEO e na decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master por “uma grave crise de liquidez”. O Will operou temporariamente sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET), mas perdeu a operação de cartões junto à Mastercard na última segunda-feira (19), ficando inadimplente e sem interessados em aquisição de ativos. “Sem operação e sem interessados na aquisição dos ativos, o Banco Central seguiu o rito para proteger o que restava do patrimônio dos credores”, comentou Mortari.

Em contraste, o Nubank opera como empresa de capital aberto na Bolsa de Nova York, sujeita a rigorosos padrões de transparência e governança. No terceiro trimestre de 2025, o balanço mais recente reportou receita de US$ 4,2 bilhões e lucro líquido de US$ 783 milhões. “O Nubank mantém um colchão de liquidez acima do exigido pelo Banco Central, o que garante que ele tenha capital próprio suficiente para absorver perdas”, acrescentou o advogado.

O especialista em mercado financeiro André Franco, CEO da Boost Research, reforçou que “não é porque é uma fintech que se deve cravar que vai pelo mesmo caminho”. “O Nubank tem uma estrutura muito mais saudável e, obviamente, é um dos maiores bancos do Brasil, com listagem lá fora. Então, quando olhamos para essa solidez, não faz muito sentido pensar dessa forma”, avaliou.

O advogado Luis Castelo, sócio da Lopes & Castelo Sociedade de Advogados, destacou que “no caso do Will Bank, houve sinais objetivos de fragilidade, como insolvência e problemas operacionais em meios de pagamento, algo que não se observa no Nubank”. O Nubank ainda anunciou, no final do ano passado, intenção de solicitar ao Banco Central a licença para operar formalmente como banco, o que imporá exigências adicionais de segurança.

Especialistas alertam que, no universo das fintechs e bancos digitais, não existe uma classificação prévia de instituições confiáveis ou arriscadas. O economista Fábio Murad, CEO da Super-ETF Educação, observa que fintechs menores enfrentam desafios maiores quando apresentam “modelo de negócio focado em crédito de alto risco sem colchão de capital; que dependem de poucos investidores ou pouca diversificação de receitas; ou que estão ligadas a instituições maiores que enfrentam problemas”.

Rafael Mortari recomenda atenção a rentabilidades excessivamente altas, que podem representar “um ‘prêmio de risco’ que a instituição paga por estar com dificuldade de captar dinheiro em outros canais”. Luis Castelo concluiu que “o mais importante é se informar, se manter atualizado com informações consistentes dos bancos e fintechs em que cada pessoa opera”, citando crescimento acelerado sem transparência e dependência excessiva de capital de curto prazo como principais sinais de alerta.

Com informações do portal IstoÉ Dinheiro.

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