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Maior valor em 8 meses: preço do petróleo dispara após ataques de EUA e Israel contra o Irã
Termômetro da Política
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Os preços do petróleo registraram forte alta neste domingo (1º), na primeira sessão de negociações após os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel ao Irã, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

Por volta das 21h30 (horário de Brasília), o barril do tipo Brent — referência global para a commodity — era negociado com valorização de 8%, cotado a cerca de US$ 78,30. Na abertura das operações, às 20h, o contrato futuro chegou a subir 13%, alcançando o maior patamar desde janeiro de 2025. Na última sexta-feira (27), o Brent fechou em US$ 72,48, com alta de cerca de 2% no dia e acumulado de aproximadamente 19% desde o início do ano.

Cerca de 20% do comércio global de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz (Foto: Reprodução/Nasa)

A escalada nos preços reflete as preocupações dos investidores com possíveis restrições ao tráfego no estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo e que permanece sob forte influência iraniana. Analistas alertam para o risco de o barril superar a marca dos US$ 100 caso haja interrupções significativas no fornecimento.

Mais de 200 navios, incluindo petroleiros e embarcações de gás natural liquefeito, permaneceram ancorados nas proximidades do estreito de Ormuz e em águas adjacentes, conforme dados de tráfego marítimo das últimas 24 horas. O risco para a navegação comercial aumentou drasticamente após os bombardeios, levando seguradoras a emitirem avisos de cancelamento de apólices e a preverem aumentos de até 50% nos prêmios para embarcações que transitarem pelo golfo Pérsico e pelo estreito.

Duas das maiores transportadoras marítimas globais, CMA CGM e Hapag-Lloyd, instruíram suas frotas a suspenderem a passagem pela região. A CMA CGM, terceira maior do mundo, comunicou que “todos os navios que se encontram atualmente no golfo Pérsico, ou que se dirigem para o golfo Pérsico, receberam instruções, com efeito imediato, de permanecerem em segurança”. Empresas como Mitsui OSK Lines e NYK Lines também priorizaram a segurança de tripulações, cargas e embarcações, aguardando condições seguras para navegação.

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Ainda neste domingo, o Irã bombardeou ao menos dois petroleiros no estreito: um de bandeira de Palau, atingido perto da costa de Omã, que deixou quatro feridos e exigiu evacuação; e outro, o MKD Vyon, de bandeira das Ilhas Marshall, também danificado na área. O tráfego marítimo apresentou redução drástica no fim de semana, segundo plataformas de rastreamento.

Embora a Opep+ tenha aprovado aumento de produção em 206 mil barris por dia a partir de abril — equivalente a menos de 0,2% da oferta global —, especialistas avaliam que o volume adicional teria impacto limitado em caso de bloqueio ou interrupções no estreito. O Irã, detentor da quarta maior reserva provada de petróleo do mundo, produziu 3,45 milhões de barris por dia em janeiro (menos de 3% da oferta global), com quase toda a exportação destinada à China, limitada por sanções e falta de investimentos.

“Vemos o petróleo Brent sendo negociado no terreno entre US$ 80 e US$ 90 no nosso cenário base ao longo desta semana”, projetaram analistas do Citigroup em relatório anterior ao início das negociações.

O banco britânico Barclays elevou sua previsão para o Brent de US$ 80 para cerca de US$ 100 por barril, afirmando: “Os mercados de petróleo podem ter que enfrentar seus piores temores na segunda-feira. No momento, acreditamos que o Brent pode chegar a US$ 100 (por barril), enquanto o mercado lida com a ameaça de uma potencial interrupção no fornecimento em meio à crescente tensão de segurança no Oriente Médio”.

A alta beneficia exportadores como o Brasil — que vendeu US$ 44,5 bilhões em petróleo no ano passado, representando 12,8% das exportações totais — e empresas como a Petrobras, mas eleva o risco de inflação global ao pressionar custos de combustíveis e energia.

Em outros mercados, contratos futuros do S&P 500 e Nasdaq 100 caíam cerca de 1%, enquanto o ouro avançava 1,5%.

Com informações da Folha de S.Paulo.

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