A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, ativou nesta sexta-feira (6) o limite trimestral de resgates em um de seus principais veículos de crédito privado, o HPS Corporate Lending Fund (HLEND). O fundo, com cerca de US$ 26 bilhões em ativos, recebeu pedidos de retirada equivalentes a US$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2026 — ou 9,3% de seu patrimônio líquido —, o maior volume desde seu lançamento há quatro anos.

A empresa decidiu honrar apenas o teto contratual de 5% das ações em circulação, o que representa o pagamento de aproximadamente US$ 620 milhões aos investidores. O restante dos pedidos ficará pendente até o próximo trimestre, conforme as regras do fundo. Trata-se da primeira vez que o mecanismo — conhecido como “gate” de liquidez — é acionado no HLEND.
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O limite de resgates é uma cláusula padrão em fundos semi-líquidos de crédito privado (non-traded BDCs). Seu objetivo é evitar a venda forçada de ativos ilíquidos, como empréstimos corporativos privados, preservando o valor dos cotistas remanescentes e alinhando a liquidez oferecida com a natureza de longo prazo da carteira.
O episódio reflete uma onda de resgates que vem pressionando vários gestores do setor de crédito privado, avaliado em torno de US$ 1,8 trilhão a US$ 2 trilhões globalmente. Nas últimas semanas, rivais como Blue Owl suspenderam saques em fundos de varejo e a Blackstone elevou temporariamente seu limite de 5% para 7%, injetando capital próprio para atender maior demanda.
A notícia pesou sobre as ações da BlackRock, que caíram entre 5% e 8% na sessão em Nova York, refletindo preocupações mais amplas com a liquidez e a qualidade de crédito no segmento. O alerta foi reforçado por casas como a Pimco, que classificou o momento como um “teste de estresse” para o crédito privado.
Nas redes sociais, especialmente no X, o caso gerou debates entre participantes do mercado financeiro. Comentários recentes destacam que a trava de 5% é cláusula conhecida pelos investidores e funciona como mecanismo de proteção contra vendas forçadas de ativos ilíquidos, embora sinalize tensão de liquidez em um setor onde múltiplos cotistas buscam a saída ao mesmo tempo. Analistas também compararam a postura da BlackRock com as estratégias adotadas por Blackstone e Blue Owl, classificando o episódio como parte de um ajuste normal em fundos de crédito privado, sem risco de colapso para a gestora que administra trilhões de dólares em ativos.
A BlackRock reforçou que a decisão está alinhada com sua política histórica de gestão de liquidez para o produto.