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Pai de Hugo Motta enfrenta cenário incerto em meio a corrida por apoio de Lula ao Senado
Termômetro da Política
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O prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), lançou sua pré-candidatura ao Senado pela Paraíba em 2026, mas enfrenta um cenário político desafiador marcado por indefinições e rivalidades internas na base aliada ao governo federal.

Aliado de João Azevêdo, Nabor (centro) tenta se encaixar na segunda vaga, mas ainda há dúvidas sobre a acomodação dos espaços nas candidaturas ao Senado
Aliado de João Azevêdo, Nabor (centro) tenta se encaixar na segunda vaga, mas ainda há dúvidas sobre a acomodação dos espaços nas candidaturas ao Senado (Foto: Reprodução)

A relação de idas e vindas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que mantém alta popularidade no estado, tem deixado o ambiente incerto. Hugo Motta articulou a aprovação de projetos importantes para o governo no fim de 2025, como o que reduz incentivos fiscais e amplia a taxação das bets, e chegou a se reunir com Lula para alinhar a votação. No entanto, há atritos em outra frente: Motta não esteve presente na cerimônia organizada por Lula para marcar o 8 de janeiro, ocasião em que o petista vetou o projeto de redução de penas para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros envolvidos nos atos.

A oposição e líderes do Centrão pressionam Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para organizarem a derrubada do veto, o que pode agravar as tensões com o Planalto.

A relação estremecida é explorada por adversários. O senador Veneziano Vital do Rego (MDB-PB), que busca a reeleição e concorre diretamente com Nabor, participou do evento de Lula sobre o 8 de janeiro e fez questão de compartilhar uma foto ao lado do presidente nas redes sociais, em gesto para buscar apoio e enfraquecer o concorrente.

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A foto de Veneziano com Lula foi tirada poucas semanas depois de Nabor fazer o mesmo. No final de dezembro, quando o presidente deu posse ao ministro do Turismo, Gustavo Feliciano (também paraibano), o pai de Hugo Motta posou ao lado de Lula.

O partido do presidente da Câmara e a legenda de Lula estão na base do governador João Azevêdo (PSB), que articula candidatura própria ao Senado e tenta emplacar o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) como sucessor. Nabor tenta se encaixar na segunda vaga, mas ainda há dúvidas sobre a acomodação dos espaços nas candidaturas ao Senado.

A oposição, por sua vez, caminha para um acordo mais unificado no estado. O ex-ministro da Saúde de Bolsonaro, Marcelo Queiroga (PL), deve ser um dos principais concorrentes ao Senado.

Em levantamentos locais, João Azevêdo lidera a corrida ao Senado com certa vantagem, seguido por Veneziano, Queiroga e, por último, Nabor.

Aliados de Hugo Motta e Nabor minimizam a indefinição envolvendo o PT e destacam que o pré-candidato do Republicanos ao Senado tem a vantagem de contar com o apoio de grande parte dos prefeitos da Paraíba. Eles avaliam que Nabor está competitivo nas pesquisas, considerando que lançou a candidatura recentemente, e que, se não estivesse forte na disputa, Veneziano não precisaria se movimentar tanto para garantir a reeleição.

Adversários, no entanto, afirmam que não há uma aliança orgânica e natural entre o presidente da Câmara, seu pai e o PT, e que Motta tenta usar a influência como presidente da Casa para impulsionar Nabor.

Em entrevista coletiva na Paraíba no último dia 12, Nabor deixou claro que busca acenar a Lula. “Claro que sim [sobre a possibilidade de Lula apoiá-lo para o Senado], ele sabe do nosso compromisso, dos gestos que tivemos, não escondo de ninguém que durante toda vida nosso voto foi em Lula para presidente. A gente está avançando nessa questão e tenho certeza que vai dar tudo certo”.

Na mesma ocasião, Hugo Motta falou sobre o assunto, mas foi comedido. “Isso [apoio do PT] primeiro depende do presidente, depende do partido do presidente. O que nós temos aqui procurado dialogar no âmbito do Republicanos e da aliança que nós temos com o governador João Azevedo, com o vice-governador Lucas, é ter um projeto que verdadeiramente represente aquilo que o estado precisa e tem tido de bom nos últimos anos”, declarou.

Outras indefinições envolvem o pleito no estado e o apoio de Lula. A provável federação entre União Brasil e PP será um dos determinantes para o apoio nacional. Se prevalecer a vontade do PP, Lucas Ribeiro, sobrinho do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), será o candidato a governador. Lucas tem acenado com apoio a Lula.

Por outro lado, se o União Brasil comandar a federação, o candidato a governador deverá ser o senador Efraim Filho (União-PB), que tem aliança com o bolsonarismo, o que enfraqueceria o palanque do PT e desorganizaria o arranjo montado por Motta, aliado de Lucas Ribeiro e do PP.

Pré-candidato do PL ao Senado, Marcelo Queiroga avalia que a candidatura de Nabor enfrenta desvantagens. “Nabor Wanderley é um político com base eleitoral concentrada na região de Patos, sem projeção estadual ou nacional relevante. Sua candidatura se ancora fundamentalmente no prestígio político do filho, Hugo Motta, e na capacidade deste de direcionar recursos oriundos de emendas parlamentares para municípios de menor porte. Candidatos com esse perfil enfrentam, historicamente, dificuldades significativas nos grandes centros urbanos da Paraíba.”

Outro adversário de Nabor, Veneziano, não integra o grupo da família de Motta nem o de Efraim e do bolsonarismo. O MDB filiou recentemente o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, que já lançou sua pré-candidatura a governador. Apesar de ser da base do atual governador, o PT ainda não decidiu quem vai apoiar para o Senado nem para governador.

Com informações de O Globo.

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