O ex-presidente Jair Bolsonaro concordou em lançar a deputada Carol de Toni (PL-SC) ao Senado por Santa Catarina. Ela vai concorrer ao lado de Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente. A decisão foi comunicada a aliados que estiveram com o ex-presidente.

Líder da oposição na Câmara de Deputados, Cabo Gilberto (PL-PB) visitou Bolsonaro na Papudinha em 7 de fevereiro e ouviu que a dupla vai disputar o Senado. A definição do ex-presidente seria soberana. Cabo Gilberto lembrou o acordo sobre a montagem das candidaturas firmado entre Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, presidente do PL. “Senado quem define é o presidente Bolsonaro, palavras do próprio Valdemar”, afirmou.
O presidente do PL reforçou que os nomes ao Senado são atribuição do ex-presidente. “Quem manda é o Bolsonaro”, declarou. Mas Valdemar ressaltou que o senador Esperidião Amin (PP-SC), que será preterido, é aliado de primeira hora.
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Carlos usou as redes sociais para enviar sinais políticos. Na Quarta-Feira de Cinzas, ele publicou uma foto nas redes sociais em que aparece sorrindo junto a Carol de Toni.
A composição deixa o senador Esperidião (PP-SC) na mão. Ele planeja tentar a reeleição e contava com o apoio do clã Bolsonaro para concorrer ao lado de Carlos —em outubro, serão eleitos dois senadores por estado.
A opção de Bolsonaro complica a estratégia do PL catarinense. O governador Jorginho Mello (PL) vai concorrer à reeleição e desejava usar a vaga que ficará com Carol de Toni para atrair o apoio da federação PP e União Brasil.
Com Amin preterido, o Progressistas analisará as opções. Existem três caminhos: continuar com o PL; seguir voo solo; ou apoiar um adversário do PL. A última opção parece a mais provável.
Coordenador da federação em SC, o deputado Fabio Schiochet (União-SC) defende fazer oposição ao PL. O parlamentar é a favor de uma aliança com João Rodrigues, candidato do PSD ao governo. “Se essa for a vontade do governador [Jorginho Mello], nosso caminho será de João Rodrigues (PSD).”
A escolha de Bolsonaro também pode ter implicações nacionais. Pré-candidato a presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta atrair a federação PP e União Brasil para uma coligação. Oferecer espaços a nomes como Amin ajudaria nas negociações.
Amin segue com planos de reeleição. O senador defende que o PP faça consultas às bases caso Bolsonaro bata mesmo o martelo por Carol e Carlos.
Idas e vindas
A montagem da chapa ao Senado em Santa Catarina virou novela. Mais de uma vez foi anunciado que seria Amim e Carlos, houve reviravolta e mudança para Carol e Carlos.
A deputada aparece em primeiro nas pesquisas. Se necessário, Carol de Toni afirmou que vai mudar de partido para se manter na disputa pelo Senado, o que pode custar uma vaga ao PL.
Já Carlos enfrenta rejeição. A forma como a candidatura foi construída fez empresários, associações patronais e militantes criarem resistência ao filho de Bolsonaro. A crítica é que Santa Catarina é um estado que não precisa “importar conservadores”.
Com informações do portal UOL.