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Datafolha mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro entre eleitores de centro
Termômetro da Política
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Pesquisa do Datafolha realizada no início de março e divulgada neste sábado (28) revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) supera o senador Flávio Bolsonaro (PL) entre os eleitores que se autoidentificam como de centro na disputa pela Presidência da República. Esses eleitores, sem forte adesão ao petismo ou ao bolsonarismo, são vistos como um segmento potencialmente decisivo em uma eleição presidencial que se desenha acirrada para outubro.

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro
O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (Fotos: Ricardo Stuckert/PR e Roque de Sá/Agência Senado)

Utilizando uma escala ideológica de 1 a 7 — em que 1 representa o extremo esquerdo e 7 o extremo direito —, o Datafolha considera como centro os entrevistados que se posicionam no número 4. Nos cenários de primeiro turno testados sem a candidatura de Ratinho Junior, que anunciou desistência na segunda-feira (23), Lula aparece com 31% das intenções de voto contra 17% de Flávio Bolsonaro. Romeu Zema (Novo) registra 9% e Ronaldo Caiado (PSD), 6%. A margem de erro para esse recorte é de cinco pontos percentuais.

No eleitorado geral, Lula também lidera os cenários de primeiro turno, com vantagem de cinco ou seis pontos sobre Flávio Bolsonaro, com margem de erro de dois pontos.

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Na pesquisa espontânea entre eleitores de centro, 15% citam Lula como voto para presidente, enquanto 2% mencionam Flávio Bolsonaro e outros 2% citam Jair Bolsonaro (PL).

No segundo turno entre Lula e Flávio, o presidente tem 41% das intenções de voto no grupo de centro, contra 32% do senador — empate técnico, com 24% de brancos e 3% de indecisos.

Outra forma de medir o eleitorado intermediário é por meio de uma escala de 1 a 5, onde 1 é bolsonarista e 5 é petista. Os que se posicionam no 3 — sem identificação com nenhum dos polos — também mostram Lula numericamente à frente no primeiro turno, com vantagem de sete a dez pontos, embora dentro da margem de erro de cinco pontos. No segundo turno, Lula aparece com 40% e Flávio com 35%, com 23% de brancos.

Lula e Flávio Bolsonaro empatam tecnicamente também no índice de rejeição, considerado estratégico para a disputa pelo eleitorado independente. Entre os eleitores de centro, 45% dizem que não votariam de jeito nenhum em Lula, enquanto 51% rejeitam Flávio. Entre os não alinhados (número 3 da escala petista-bolsonarista), os índices são de 48% para Lula e 50% para Flávio.

A maior parte desses eleitores intermediários prefere que as ações do próximo presidente sejam diferentes das realizadas por Lula: 79% entre os de centro e 81% entre os não petistas nem bolsonaristas.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre os dias 3 e 5 de março de 2026, em 137 municípios, com registro no TSE sob o número BR-03715/2026.

O professor de ciência política da USP, Sérgio Simoni, analisou os números e ponderou sobre a definição de “centro”. “Às vezes [o entrevistado] coloca centro, mas não é exatamente o mesmo significado que a gente atribui [para o termo]. Quando [o DataFolha] pergunta também [no contexto da] escala entre petistas e bolsonaristas, permite um cenário com mais nuances”, afirmou.

Simoni destacou ainda que “mais de um terço dos eleitores se posiciona ou no meio, ou, ainda que tendendo para um lado, não se identifica fortemente [com nenhum dos lados]”.

A pesquisa também traça perfis: o eleitor bolsonarista raiz costuma ser homem, branco, evangélico, morador do Sul, Centro-Oeste ou Norte e preferir o PL. O petista raiz é majoritariamente mulher, com mais de 60 anos, ensino fundamental, renda de até dois salários mínimos, moradora do Nordeste, aposentada e católica. Já o eleitor desassociado dos polos tende a ser homem jovem (16 a 24 anos), estudante, com ensino superior, sem religião e residente no Sudeste.

A estagiária de comunicação Fernanda Rabello, de 22 anos, exemplifica esse perfil: “Sou centro, porque acredito que é possível ter benefícios pra sociedade em ambos os lados, com um mediando o outro. Não decidi em quem votar para presidente, está cedo ainda. Acho que o maior problema do país é a disparidade de classes: pessoas que detêm muita riqueza e pessoas que não têm o que comer.”

Com informações da Folha de S.Paulo.

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