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Lula mantém Alexandre Silveira no Ministério de Minas e Energia para facilitar aprovação de Messias no STF
Termômetro da Política
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu manter o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), no governo. A orientação foi transmitida ao ministro em reunião realizada na última semana. A permanência de Silveira no cargo impede que ele dispute uma vaga ao Senado por Minas Gerais nas eleições de 2026, cenário que poderia gerar atritos com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Permanência de Alexandre Silveira no cargo impede que ele dispute uma vaga ao Senado por Minas Gerais
Permanência de Alexandre Silveira no cargo impede que ele dispute uma vaga ao Senado por Minas Gerais (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

A decisão faz parte da estratégia do Planalto para ampliar as chances de aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos pontos colocados por Alcolumbre como condição para destravar a tramitação do nome de Messias foi exatamente o afastamento de uma eventual candidatura de Silveira em Minas.

Mesmo com o gesto, não há garantia de que Messias consiga ser aprovado no Senado. A relação entre Alcolumbre e Silveira está desgastada há meses, principalmente por divergências sobre indicações para agências reguladoras — Silveira resistiu a nomes sugeridos por Alcolumbre e manteve quadros de sua confiança, especialmente na ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) — e por desentendimentos sobre as regras da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), base de programas como o Luz para Todos.

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Alcolumbre busca evitar que Silveira, que tem bom trânsito no Congresso, entre na disputa mineira. Em 2022, quando havia apenas uma vaga ao Senado, o ministro ficou em segundo lugar, com 3,67 milhões de votos, atrás de Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), eleito com 4,26 milhões. Em 2026, serão duas vagas em disputa.

Também houve pressão do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), aliado de Alcolumbre e potencial candidato ao governo de Minas. Apesar da relação próxima no passado — Silveira foi chefe de gabinete de Pacheco no Senado —, os dois se distanciaram. Pacheco indicou a Lula que não deseja dividir palanque com o ministro e mudou de partido, saindo do PSD para o PSB.

Lula acatou as condições e atuou nos bastidores para que Silveira continue no governo. Com isso, o ministro abre mão de uma candidatura competitiva para preservar a articulação política do Planalto.

Em reunião na semana passada, Lula definiu quatro frentes de atuação para Silveira a partir de sua permanência no cargo:

  1. Articulação com o Congresso — com as saídas de Gleisi Hoffmann das Relações Institucionais, Rui Costa da Casa Civil e Fernando Haddad da Fazenda, o Planalto considera que perdeu três dos principais canais com o Legislativo. Silveira passa a ser peça-chave nessa ponte. Ele foi deputado federal e senador no passado;
  2. Coordenação eleitoral — o ministro deve atuar na coordenação da campanha de reeleição de Lula, ao lado do presidente do PT, Edinho Silva. A estratégia é reforçar a ideia de frente ampla, dando protagonismo a um quadro do PSD — partido de centro que tende a lançar candidato próprio, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado;
  3. Disputa de 2º turno — no Planalto, o cenário considerado mais provável é de confronto com Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Lula quer evitar que o PSD, comandado por Gilberto Kassab, migre em peso para o campo adversário. Silveira atuaria para conter esse movimento;
  4. Governabilidade futura — Silveira também fica responsável por manter o diálogo com Kassab mirando um eventual novo mandato. A missão é pavimentar o apoio do PSD a um possível 4º governo Lula.

Com informações do portal Poder 360.

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