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Meta de 40 deputados e neutralidade com Lula pesam na decisão de Ciro Nogueira de rejeitar aliança com Flávio
Termômetro da Política
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O medo de novas operações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no caso Master e um suposto acordo de neutralidade com o governo Lula (PT) são apontados por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como as principais razões para a federação União-PP rejeitar a coligação com o PL. Com isso, a legenda abriu mão de indicar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice na chapa presidencial.

Presidente do PP, Ciro Nogueira (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Nos bastidores, no entanto, o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), tem recorrido a um número específico como justificativa: a meta de eleger ao menos 40 deputados na próxima eleição. Segundo ele, esse objetivo só se viabiliza se a federação não lançar candidato a presidente.

Pelo cálculo de Ciro, abandonar a neutralidade pode ser fatal em estados onde caciques da legenda disputam cargos. Em Pernambuco, por exemplo, o deputado federal Eduardo da Fonte concorrerá ao Senado, enquanto os principais candidatos ao governo — o ex-prefeito João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD) — disputam o capital político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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O próprio Ciro enfrenta disputa acirrada pela reeleição no Piauí, conforme pesquisas recentes de intenção de voto. No estado, onde o governador Rafael Fonteles (PT) lidera a corrida pela reeleição, o senador Marcelo Castro (MDB) e o deputado federal Júlio César (PSD) figuram como seus principais adversários.

A federação União-PP detém hoje a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 98 parlamentares, o que se traduz em um fundo eleitoral de quase R$ 1 bilhão em 2026. Manter esse poderio intacto é a prioridade, o que exige, além de evitar novas operações da Polícia Federal, assegurar uma bancada robusta no próximo pleito.

Aliados próximos de Ciro afirmam que, independentemente de quem for eleito, a federação integrará a base do governo — como já ocorreu no mandato de Jair Bolsonaro (PL) e agora com Lula. Por isso, não haveria motivo para pressa em fechar coligação com Flávio.

“Estaremos em qualquer governo, desde que a bancada seja grande. Essa é a prioridade e para isso não podemos carregar o peso de Flávio Bolsonaro em estados importantes”, diz um aliado.

Demora de Flávio e desfecho com Tereza Cristina

Outro fator que contribuiu para a manutenção da neutralidade foi a demora de Flávio em procurar Tereza Cristina. Embora a senadora tenha sido citada diversas vezes pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, como a vice ideal para o filho de Jair Bolsonaro, o próprio Flávio só conversou com ela na última quarta-feira.

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Nessa conversa, Tereza sinalizou disposição para integrar a chapa, desde que a federação PP-União Brasil aprovasse. O partido, no entanto, rechaçou a possibilidade em nota pública divulgada na sexta-feira, reafirmando a neutralidade na disputa pelo Planalto.

Tereza Cristina foi ministra da Agricultura no governo Bolsonaro e chegou a ser cotada como vice na chapa de reeleição do então presidente, que preferiu o general Walter Braga Netto (PL) apesar dos apelos de Valdemar e Ciro.

A frustração com o desfecho das conversas reflete o clima de preocupação com a falta de direção da campanha. Na última semana, Flávio trocou de marqueteiro pela segunda vez: saíram Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer e entrou Duda Lima, responsável pela campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e, desde então, pelo marketing do PL.

Integrantes da cúpula do PL criticaram o tom das propagandas e avaliaram a convenção do partido como ruim e desorganizada. Um exemplo citado repetidamente foi o atraso no discurso de Flávio, realizado com o centro de convenções do Pacaembu já esvaziado, quando boa parte das caravanas deixava o local.

Com informações de O Globo.

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