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PT aponta manobra eleitoral, aciona Polícia Federal e vai à Justiça contra Flávio Bolsonaro e ex-banqueiro
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A duas semanas da definição do segundo turno da eleição presidencial, a coordenação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu recorrer ao Judiciário e à Polícia Federal após ser alvo de alegações envolvendo o antigo proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. Os advogados e estrategistas do chefe do Executivo alegam a existência de uma tentativa deliberada de interferir no pleito, apontando uma atuação conjunta entre o empresário e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro
Aliança entre Daniel Vorcaro e candidato do PL é denunciada pelos petistas (Fotos: Reprodução)

A controvérsia ganhou força a partir de matérias divulgadas pela revista Veja, que veiculou uma gravação em áudio na qual Vorcaro sustenta ter bancado uma produção audiovisual sobre o atual presidente, dirigida por Oliver Stone e lançada no ano de 2024. O periódico semanal cita ainda repasses em dinheiro vivo na casa dos R$ 30 milhões para a realização da obra e transferências destinadas ao Instituto Lula.

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A resposta da coligação governista veio por meio de dois posicionamentos oficiais. Em nota, a representação jurídica ressaltou o momento em que a controvérsia é reativada no cenário público:

“A duas semanas do segundo turno, requentar uma delação rejeitada é tentativa de interferir nas eleições.”

Segundo o corpo jurídico do presidente, a manobra foi orquestrada com a intenção de “contaminar o voto com imputações criminosas que não resistiram ao crivo da PF e da PGR”.

Conjunto de providências nos tribunais

Diante dos fatos relatados, o time de Lula estipulou cinco frentes de atuação no campo judicial:

  • Direito de resposta: Solicitação formal endereçada à revista Veja.
  • Investigação criminal: Pedido à Polícia Federal para apurar o vazamento de informações e o teor dos depoimentos do ex-banqueiro.
  • Ação indenizatória: Processo por danos morais voltado à parte responsável pela publicação.
  • Medida cautelar eleitoral: Petição de urgência perante a Justiça Eleitoral com o intuito de vetar a exploração das ilações no horário gratuito de rádio e televisão.
  • Queixa-crime: Interpelação judicial dirigida a Vorcaro por ofensas à honra e acusações inverídicas contra integrantes da campanha.

Apesar do anúncio do pacote de medidas, a equipe não detalhou se todas as peças já foram devidamente protocoladas.

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Fragilidades e divergências nos relatos

Informações apuradas junto ao material mantido sob custódia dos investigadores contrastam com a versão propagada pela Veja. O telefone celular de Vorcaro, retido em procedimento da Polícia Federal no mês de novembro de 2025, passa por checagem e abrange o período em que o documentário foi rodado. A análise dos dados gravados no dispositivo não identificou referências a patrocínios, transferências ou pagamentos vinculados ao projeto de Oliver Stone.

Integrantes da PF e da Procuradoria-Geral da República pontuaram desconhecer a gravação divulgada e asseguraram que o documento que menciona as quantias de R$ 30 milhões não faz parte de nenhuma das três ofertas de delação negociadas pelo ex-banqueiro. A proposta de acordo de colaboração premiada acabou indeferida pela PGR em junho, ocasião em que o órgão apontou que as declarações não acrescentavam elementos às provas que já constavam nos autos. Não foram prestados depoimentos de forma oral.

Além disso, contradições internas foram registradas na narrativa de Vorcaro. Em suas tratativas formais, o empresário afirmava que o suporte financeiro a obras sobre Lula e Michel Temer havia ocorrido nos mesmos moldes do projeto feito para Jair Bolsonaro. Já na gravação exposta pela publicação, o ex-banqueiro sustenta que o aporte à película de Lula teria ocorrido fora dos padrões legais, discrepando também quanto aos montantes citados.

Embate político e rebatimento das acusações

No segundo texto distribuído à imprensa, a campanha de Lula subiu o tom contra o adversário do PL e estabeleceu ligação direta entre o senador e a repercussão da notícia:

“Flávio Bolsonaro cumpre a promessa de não abandonar o banqueiro-irmão e aciona a Revista Veja para tumultuar o processo eleitoral”

A manifestação não apresentou provas documentais do acerto entre Flávio, o ex-controlador do Master e a revista. O documento relembrou a apuração publicada pelo veículo Intercept Brasil em maio, revelando negociações de US$ 24 milhões lideradas por Flávio com Vorcaro para financiar “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro — transação que teve a confirmação de repasses de pelo menos US$ 10,6 milhões.

A assessoria do presidente busca contrapor a proximidade das figuras políticas com o histórico da instituição bancária:

“A verdade é que, durante o mandato do pai de Flávio Bolsonaro, Vorcaro virou banqueiro. No governo Lula virou prisioneiro”

Procurado pela reportagem da Veja, o presidente Lula refutou categoricamente ter buscado ou obtido benefícios financeiros do ex-banqueiro, bem como negou ter outorgado poderes a terceiros para atuar em seu nome. A equipe responsável pela produção do documentário também reiterou que não ingressou dinheiro do Banco Master, de Vorcaro ou de seus fundos na obra. O fato de as mensagens no aparelho do empresário não registrarem transações financeiras não encerra de forma definitiva a possibilidade de repasses por outros caminhos.

Com informações do portal UOL.

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