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Artista negro é morto por segurança de supermercado ao tentar entrar com seu cão
Termômetro da Política
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Felipe Moraes Oliveira, um artesão e artista negro de 29 anos, foi baleado e morto por um segurança do supermercado Loyola, no bairro Jardim do Estádio, em Santo André, na manhã de terça-feira (26). O caso ocorreu após uma discussão quando Felipe tentou entrar no estabelecimento com seu cachorro. Segundo o boletim de ocorrência obtido pela reportagem, o segurança disparou contra a vítima, atingindo-o na barriga. Felipe correu para uma farmácia ao lado em busca de socorro, mas morreu no local, apesar do atendimento médico acionado pelos funcionários.

Felipe Moraes era uma figura conhecida nas rodas culturais do ABC Paulista
Felipe Moraes era uma figura conhecida nas rodas culturais do ABC Paulista (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil identificou e prendeu o suspeito, que se entregou na noite dessa quinta-feira (28) no Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Santo André. A identidade do segurança não foi divulgada, e a reportagem ainda aguarda resposta do supermercado Loyola sobre a dinâmica dos fatos. A família de Felipe alega que o segurança seria um policial fazendo “bico”, informação negada pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).

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Perfil da vítima e mobilização

Felipe Moraes era uma figura conhecida nas rodas culturais do ABC Paulista, participando de batalhas de rima e exposições artísticas. Sua esposa, Evelyn da Silva, lamentou nas redes sociais: “Felipe saiu para comprar pão com seu cachorro e não voltou mais”. O cão foi resgatado horas após o incidente, conforme mostra um vídeo divulgado por familiares. Em resposta à morte, movimentos negros e sociais, como o Movimento Negro Unificado, Unegro e Uneafro, organizam uma manifestação pedindo justiça, marcada para esta sexta-feira (29) na Praça Carijós, em Santo André. “Mais uma vida interrompida pelo racismo estrutural, pela violência policial e pelo descaso que atingem diariamente as periferias. Mesmo após sua morte, segue sendo violentado por narrativas midiáticas que tentam retratá-lo como ameaça”, diz o comunicado das entidades.

A Bancada Feminista, mandato de codeputadas estaduais, protocolou uma ação no Ministério Público de São Paulo cobrando providências. A representação argumenta que a presença de um cachorro em um estabelecimento não justifica violência e destaca a permissividade em shoppings e lojas pet-friendly. “Enquanto os shopping centers das elites recebe os animais de estimação, principalmente os cachorros, cada vez de forma mais frequente, para os jovens negros e pobres brasileiros esse pode ser motivo de morte violenta”, afirma a Bancada Feminista. A investigação segue em andamento para esclarecer as circunstâncias do crime.

Com informações do portal Uol.

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