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PF prende desembargador federal na 2ª fase da Operação Unha e Carne
Termômetro da Política
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O desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, dodo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi preso pela Polícia Federal nesta terça-feira (16), durante a segunda fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura o vazamento de informações da Operação Zargun. Os policiais prenderam Macário em casa, localizada no bairro da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Conforme apurado pela reportagem, Macário foi o juiz responsável por emitir, em setembro, o mandado de prisão do então deputado TH Joias naquela operação.

Desembargador federal foi preso pela PF na 2ª fase da operação que mira presidente da Alerj (Foto: YouTube/Reprodução)

Os agentes saíram para cumprir, no total, 1 mandado de prisão e 10 de busca e apreensão, expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Rodrigo Bacellar, preso na 1ª fase da operação e posteriormente solto pelo plenário da Alerj, foi alvo de buscas nesta terça. Mandados também foram executados no Espírito Santo.

Bacellar está licenciado do cargo de deputado estadual. Ele havia sido afastado da presidência da Casa por decisão de Moraes, mas poderia continuar no mandato. No entanto, solicitou licença do cargo um dia após ser solto.

Entenda a Operação Unha e Carne

No dia 3, Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, foi convidado para uma reunião com o superintendente da PF no Rio de Janeiro, Fábio Galvão. Ao chegar, foi preso e teve seu celular apreendido. No veículo dele, os policiais encontraram R$ 90 mil em dinheiro vivo.

De acordo com a PF, Bacellar é suspeito de ter divulgado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, que resultou na prisão do então deputado TH Joias.

O mandado de prisão de Bacellar foi emitido pelo ministro Alexandre de Moraes, que também determinou seu afastamento da presidência da Alerj.

Em sua decisão, Moraes citou “fortes indícios” da atuação de Bacellar em uma organização criminosa. Conforme trecho da decisão obtido pela reportagem, ele estaria atuando para “obstrução de investigações envolvendo facção criminosa e ações contra o crime organizado, inclusive com influência no Poder Executivo Estadual”.

“Os fatos narrados pela Polícia Federal são gravíssimos, indicando que Rodrigo Bacellar estaria atuando ativamente pela obstrução de investigações envolvendo facção criminosa e ações contra o crime organizado, inclusive com influência no Poder Executivo estadual, capazes de potencializar o risco de continuidade delitiva e de interferência indevida nas investigações da organização criminosa”, escreveu Moraes.

A suspeita de vazamento já havia sido mencionada no dia da Operação Zargun pelo procurador-geral de Justiça do RJ, Antonio José Campos Moreira. Ele afirmou que “houve uma certa dificuldade” para localizar TH.

“O parlamentar havia saído do condomínio por volta das 21h40 [de terça, 2, véspera da operação], deixando a casa completamente desarrumada, o que pode sugerir uma fuga e o desfazimento de vestígios de fatos criminosos”, disse o procurador-geral de Justiça do RJ.

Em um dos vídeos enviados por TH Joias a Bacellar, ele mostra um freezer com carnes para o então presidente da Alerj e faz piadas. A Polícia Federal considera as imagens como um indício de que Bacellar avisou ao ex-deputado sobre a operação.

“Ô presida! Não tem como levar não, irmão. Pô, como é que leva?! Tem como levar não, irmão. Esses filhas das p* vão roubar as carnes, hein”, disse TH a Bacellar (veja abaixo), segundo inquérito da PF.

De acordo com a Constituição Federal, quando um deputado estadual é preso em flagrante por crime inafiançável, cabe à própria Assembleia decidir se o encarceramento é necessário.

Bacellar teve a soltura determinada por uma votação da Alerj no dia 8 de dezembro. Após uma reunião na Comissão de Constituição e Justiça da casa, a decisão coube ao plenário, que determinou que Bacellar seria solto por 42 votos a favor e 21 contra.

Alexandre de Moraes acatou a decisão e determinou a soltura, mas definiu uma série de medidas cautelares a Bacellar, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, afastamento da presidência da Casa, recolhimento noturno e proibição de contato com outros investigados.

Com informação do portal g1.

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