Geral - -
“Quis sumir”, afirma vítima que teve foto manipulada por IA no X para aparecer nua
Termômetro da Política
Compartilhe:

O uso indevido de inteligência artificial para a criação de conteúdos sexuais não consentidos fez uma nova vítima no Rio de Janeiro. A jornalista Julie Yukari registrou uma ocorrência na 10ª DP (Botafogo) após descobrir que fotos suas foram manipuladas pelo Grok, a ferramenta de IA da plataforma X (antigo Twitter), para exibi-la de lingerie e em trajes como o “microkini”, um micro-biquíni.

Julie Yukari teve uma foto sua manipulada pela inteligência artificial Grok, do X, para aparecer nua (Foto: Reprodução)

O episódio teve início após a virada do ano. Julie relatou que publicou uma foto com sua gata no dia 31 de dezembro e, ao acordar, deparou-se com diversos perfis solicitando à IA montagens depreciativas e de cunho sexual com sua imagem. O impacto emocional foi imediato. “Quis sumir e apagar todas as minhas fotos e redes sociais”, relatou Julie, que inicialmente sentiu o desejo de abandonar o ambiente digital antes de decidir buscar a justiça.

Leia também
Em Patos, operação que investiga desvio de cargas prende homem e bloqueia cerca de R$ 5 milhões em bens

De acordo com a vítima, os responsáveis pelos pedidos ao Grok são perfis anônimos ou falsos que disseminam discursos discriminatórios contra mulheres. “Eles querem que nós mulheres não tenhamos coragem de ousar existir como seres humanos. Meu sentimento é de indignação, mas também é de luta, de correr atrás dos meus direitos e de conseguir justiça”, afirmou a jornalista. Julie já obteve a remoção de ao menos uma conta pela plataforma e pretende comparecer pessoalmente à delegacia para adicionar novos perfis que continuam manipulando suas fotos.

Aumento de crimes sexuais digitais no Rio

O caso de Julie Yukari reflete uma tendência alarmante no estado. Um levantamento mostra que as mulheres representam 87,8% das vítimas de registro não autorizado de intimidade sexual no Rio de Janeiro. Entre 2020 e 2024, esse tipo de crime registrou um crescimento de 300%. Dados do Instituto de Segurança Pública indicam ainda que 39,9% dos autores são ex-companheiros das vítimas, embora o caso atual envolva ataques de perfis desconhecidos em redes sociais.

Após denunciar o caso publicamente no dia 2 de janeiro, Julie expressou esperança na identificação dos envolvidos: “Boletim de ocorrência registrado. Em breve a gente descobre a identidade desses criminosos”, disse a vítima. A polícia agora investiga a utilização da ferramenta Grok para ferir a reputação e fazer uso depreciativo da imagem da jornalista sem permissão.

Com informações de portal g1.

Compartilhe: