Sérgio Roberto Melo Bringel, dono do Grupo O Norte, que detém os direitos da afiliada RedeTV! na Paraíba, é natural de Parintins, no Amazonas, e comanda o Grupo Bringel, um conglomerado que abrange setores como saúde, comunicação, educação, meio ambiente, logística, agronegócio, engenharia e finanças. Apesar do crescimento, a ascensão do grupo é acompanhada por graves acusações e suspeitas de participação em esquemas de corrupção. Em outubro de 2018, Sérgio Bringel foi preso preventivamente durante a Operação Cashback, desdobramento da Operação Maus Caminhos, iniciada em 2016 para investigar desvio de mais de R$ 200 milhões na saúde do Amazonas.

Iniciado por seu pai, Sebastião Ramilo Bulcão Bringel, com uma farmácia no interior do Amazonas em 1981, o grupo registrou faturamento de R$ 800 milhões em 2022, com projeção de alcançar o primeiro bilhão em dois anos. Com mais de 4.000 colaboradores e presença em 14 estados brasileiros, o conglomerado tem sedes administrativas em Manaus, São Paulo e Brasília.
A trajetória de Bringel começou de forma modesta. Após concluir o ensino médio, assumiu a gestão das farmácias da família em Manacapuru, a 84 km de Manaus. Em seu próprio relato, a arrogância juvenil levou a uma má administração inicial, resultando na quebra dos negócios. Com determinação, reestruturou as farmácias e, em 1995, fundou a Distribuidora Bringel, marcando o início da expansão. A visão de mercado e a intuição para os negócios, segundo o próprio empresário, foram fundamentais para a diversificação das atividades, incluindo fornecimento de produtos e equipamentos hospitalares, esterilização, tratamento de resíduos de saúde e desenvolvimento de patentes.
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O Grupo Bringel é diversificado: no setor de saúde, inclui Bioplus (gestão hospitalar), Esteriliza (terceirização de esterilização), Biodental Medical (artigos odontológicos), Hospital Domiciliar (home care), Athos Brasil (unidades móveis) e Salux (produtos hospitalares); na educação, a Innyx (plataforma EAD), com desenvolvimento de sistemas educacionais, editora, estúdio, gestão educacional e programas corporativos; na comunicação, o Grupo Norte de Comunicação, com retransmissoras de TV e rádio e portais de notícias no Acre, Amazonas, Roraima, Tocantins e Paraíba; no meio ambiente, a Norte Ambiental (gestão de resíduos no Amazonas e Rondônia), análise e monitoramento de recursos naturais; e outros em logística, agronegócio, engenharia e finanças. Desde 2020, o grupo investiu mais de R$ 20 milhões em oito startups, a maioria healthtechs, motivado pela experiência da pandemia de Covid-19.
A prisão de Sérgio Bringel durou três dias, revogada por habeas corpus. Em 2019, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou Bringel por peculato, organização criminosa e dispensa indevida de licitação. Absolvido da dispensa de licitação, continua réu pelos outros crimes. Na Cashback, a Justiça Federal bloqueou R$ 8,4 milhões em bens de Bringel e outros R$ 8,4 milhões de seu pai, totalizando R$ 124 milhões para 29 envolvidos.
Um dos casos mais graves envolve a Bioplus, com contrato para esterilização na UPA e maternidade de Tabatinga (AM). Investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) e Polícia Federal apontaram superfaturamento e não prestação de serviços, colocando em risco a vida de pacientes. “A grave situação de esterilização realizada pela empresa Bioplus, envolvendo desde a ineficiência do serviço prestado, episódios de interrupção total dos serviços por parte da empresa contratada, nunca deixou de receber os pagamentos”, descreve trecho do inquérito da PF. A Bioplus recebeu mais de R$ 1,3 milhão sem comprovação e utilizava estrutura do estado para esterilização precária, resultando em infecções hospitalares.
Apesar das investigações, o grupo firmou contratos públicos: com o Governo de São Paulo (Secretaria de Políticas da Mulher), R$ 1,7 milhão para locação de carretas no programa “Carreta de Mamografia e Empreendedorismo” (2024-2025); Prefeitura de Manaus (diversos), R$ 838,1 milhões para construção e manutenção de Unidades Básicas de Saúde e gestão de serviços médicos; Governo do Distrito Federal (Saúde), R$ 79,4 milhões para administração de 197 leitos em hospital de campanha durante a pandemia de Covid-19; Governo de Roraima (Secretaria de Educação), R$ 15 milhões para pagamento à Bringel Medical Distribuidora, alvo de investigação.
As investigações envolvem familiares: o pai Sebastião, preso na Cashback, com R$ 8,4 milhões bloqueados e 47 processos, maioria no TJAM e TRF1; a mãe Nilceana, apontada como fundadora em redes sociais, com 12 processos, maioria no TJAM, e penalidade de advertência da ANVISA em 2017.