Mais de 100 cursos de Medicina do país obtiveram notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira (19) em Brasília. Cerca de 89 mil alunos participaram da avaliação. Dos 39 mil concluintes — aqueles próximos de ingressar no mercado de trabalho —, apenas 67% obtiveram resultado considerado proficiente. O restante, quase 13 mil alunos, não alcançou desempenho satisfatório.

Ao todo, 351 cursos foram avaliados, e 30% deles ficaram nas faixas mais baixas: 24 alcançaram conceito 1, o menor índice, e 83 obtiveram conceito 2.
A análise por tipo de instituição revela diferenças significativas. Nas universidades públicas municipais, 87,5% dos cursos ficaram nas faixas 1 e 2. Nas instituições privadas com fins lucrativos, o percentual foi de 58,4%, e nas instituições especiais, de 54,6%. Já as privadas sem fins lucrativos registraram um terço dos cursos com conceitos insuficientes.
Os melhores desempenhos, nas faixas 4 e 5, concentraram-se nas universidades públicas federais (87,6%) e estaduais (84,7%). Instituições comunitárias e confessionais também se destacaram, com quase metade dos cursos na faixa 4.
Os cursos com conceito 1 ou 2 enfrentarão penalidades: suspensão total do ingresso de novos estudantes, redução de vagas, suspensão do Fies e de outros programas federais. Oito cursos terão ingresso suspenso e ficarão impedidos de receber recursos federais; 13 precisarão reduzir pela metade o número de vagas; 33 terão redução de 25%; e 45 não poderão aumentar o número de vagas.
Das 107 instituições afetadas, 99 passarão por penalidades, pois faculdades estaduais e municipais não estão sob a gerência direta do Ministério da Educação.
Em reunião com a imprensa, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que as universidades terão prazo para apresentar defesa. “É uma maneira da instituição se aperfeiçoar. É um instrumento para que a gente possa fazer as instituições corrigirem e ter um ensino de qualidade. É uma forma de monitoramento com o único objetivo de melhorar o ensino”, disse Camilo.
Antes da divulgação, uma entidade que representa universidades particulares entrou na Justiça para barrar os resultados, mas perdeu o pedido.
Com informações do portal g1.