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Operação prende suspeitos de montar ‘escritórios do crime’ para burlar SouGov e invadir contas de servidores públicos
Termômetro da Política
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A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (29) a Operação Duplo Fator, que mira um grupo criminoso especializado em invasões a sistemas governamentais e instituições financeiras. Ao todo, estão sendo cumpridos 14 mandados — seis de prisão preventiva e oito de busca e apreensão — em quatro regiões administrativas do DF (Areal, Ceilândia, Riacho Fundo e Samambaia) e nos municípios de Aragarças (GO) e Barra do Garças (MT).

Criminosos alugavam imóveis por temporada para montar “escritórios do crime” temporários, onde instalavam equipamentos de informática e impressão destinados à execução das fraudes (Foto: Divulgação/PCDF)

De acordo com as investigações da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), com apoio da Divisão de Operações Policiais (DOE/PCDF) e das polícias civis de Goiás e Mato Grosso, a organização criminosa operava de forma itinerante. Os criminosos alugavam imóveis por temporada para montar “escritórios do crime” temporários, onde instalavam equipamentos de informática e impressão destinados à execução das fraudes.

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Os líderes tratavam o crime como uma profissão, encarando a rotina de delitos como um “trabalho diário” necessário para manter o estilo de vida. Para abrir contas digitais em nome das vítimas, o grupo recrutava pessoas em situação de vulnerabilidade, chamadas internamente de “atores” ou, jocosamente, de “mendigos”. Esses indivíduos eram usados para burlar os sistemas de reconhecimento facial (biometria) das instituições financeiras, realizando a “prova de vida” exigida pelos aplicativos.

Ao mesmo tempo, o núcleo de falsificação editava e imprimia documentos físicos (RGs e CNHs) de alta qualidade, inserindo as fotos dos “atores” junto aos dados das vítimas reais, garantindo a aprovação nas validações bancárias. Após a abertura da conta, solicitavam um cartão de crédito e iniciavam movimentações de pequenos valores, simulando rotina financeira legítima para conseguir limites de crédito mais elevados.

Em paralelo, o grupo promovia a supressão da autenticação de dois fatores da plataforma SouGov.br, elevando o nível de acesso das contas de servidores públicos às categorias “prata” ou “ouro” e contratando empréstimos fraudulentos. Em dois casos apurados com vítimas no Distrito Federal, o prejuízo financeiro chegou a cerca de R$ 364 mil em duas instituições financeiras diferentes.

Para garantir o ressarcimento dos prejuízos e descapitalizar a estrutura da quadrilha, a Justiça determinou o bloqueio judicial de valores nas contas vinculadas aos suspeitos. Os alvos da operação responderão pelos crimes de organização criminosa e estelionato eletrônico.

A Polícia Civil destacou que o grupo utilizava softwares de automação para varredura de dados e realizava uma “triagem qualificada” das vítimas, selecionando especificamente servidores públicos com margem consignável elevada, alto score de crédito e ausência de dívidas, classificando-os como cidadãos de “renda boa” e aptos para a aplicação dos golpes.

Com informações do portal Metrópoles.

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