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Bebê de 1 ano morre após série de atendimentos em UPA no Rio de Janeiro; família acusa negligência médica
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a morte da bebê Eloá Alves de Oliveira, ocorrida em 6 de janeiro de 2026, após múltiplos atendimentos no Hospital Municipal Dr. Celso Martins, em Cachoeiras de Macacu, na Região Serrana.

Família atribui o óbito a falhas no diagnóstico, demora em condutas compatíveis com a gravidade e recusa inicial de transferência (Foto: Divulgação)

A mãe, Victoria Silveira Alves, relatou que a filha chegou ao hospital em condições normais e saiu com quadro gravíssimo. “Eloá entrou no hospital andando, entrou como uma criança ativa. No dia 2, eu peguei a minha filha mole, com a respiração ofegante. Não era mais a minha filha. Ela entrou com o raio-x perfeita, onde se via o coração perfeito, e ela saiu com o coração do tamanho de um adulto”, desabafou Victoria.

O pai, Leonardo Silva de Oliveira, afirmou que a menina deu entrada cinco vezes na unidade. “Eloá entrou cinco vezes no hospital. Davam um remédio e mandavam ela para casa. Dia 25, ela foi internada com diagnóstico de otite. Ela amanheceu toda inchada, com bolinhas pelo corpo, mas disseram que era alergia do remédio”, contou Leonardo.

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Ele lembrou duas falas que o marcaram: “Tem duas frases que não tiro da minha cabeça. O médico, que batendo no peito, disse pra mim que ele tinha 45 anos de profissão e que a minha filha não corria risco de vida, estava sendo bem cuidada. E a outra foi a última palavra da minha filha. Ela disse: mimi, papai’, e eu sabia que era ‘mimi’ com Jesus. Eu busco justiça pela minha filha, eu busco justiça pela minha família. Que o caso da Eloá não seja esquecido e o caso encaminhado ao Conselho Regional de Medicina”.

A família relata que Eloá foi atendida pela primeira vez em 20 de dezembro de 2025, com febre. Nos dias seguintes, retornou à UPA, recebeu diagnósticos como otite e vasculite, foi medicada com antibióticos, corticoides e soro, mas não melhorou. O estado piorou com ausência de urina, edemas, manchas vermelhas, apatia e dificuldade respiratória. A mãe diz ter solicitado exames e transferência para UTI neonatal em Niterói, pedidos inicialmente negados.

“A todo momento a gente pedia a transferência da nossa filha e eles negavam. Disseram ‘como vou transferir uma criança que só tem febre?’. Mas, ela não tinha só febre. Ela não urinava, ela não comia, ela dormia o dia inteiro”, relatou Victoria.

A transferência só ocorreu após intervenção de advogado. Eloá, internada desde 25 de dezembro, foi levada em 2 de janeiro para a Neotin – Neonatal Terapia Intensiva, em Niterói, já entubada. “No dia 2, depois de muita luta, a gente conseguiu a transferência. Sendo que minha filha já entrou no hospital entubada. Eles [hospital] alegavam aqui o tempo inteiro que minha filha não tinha nada grave”, disse a mãe.

A família atribui o óbito a falhas no diagnóstico, demora em condutas compatíveis com a gravidade e recusa inicial de transferência. “Minha filha foi transferida para morrer”, desabafou o pai.

A Polícia Civil registrou o caso na 76ª DP (Niterói) e o encaminhou à 159ª DP (Cachoeiras de Macacu), onde diligências estão em andamento.

A Prefeitura de Cachoeiras de Macacu lamentou o falecimento e informou que se solidariza com a família. Segundo a administração, os esclarecimentos técnicos foram prestados pela organização social que administra o hospital, e o atendimento seguiu os protocolos clínicos. A paciente foi avaliada, medicada, internada, submetida a exames laboratoriais e de imagem, e a transferência para unidade de maior complexidade foi solicitada após evolução do quadro, realizada de forma segura e regulada pela Central Estadual de Regulação. Uma comissão interna analisa o caso e, até o momento, não foram identificadas irregularidades, mas a apuração segue aberta.

A Neotin Neonatal Terapia Intensiva informou que Eloá deu entrada em 2 de janeiro de 2026, com edema generalizado e sinais inflamatórios sistêmicos, em uso de antibióticos e suspeita de infecção ou Doença de Kawasaki. “Foram adotadas medidas de tratamento intensivo, com antibióticos de amplo espectro, suporte clínico e monitorização contínua. Exames apontaram alterações graves, como disfunções hepática, cardíaca e renal. Com a piora do quadro, a paciente evoluiu para choque séptico e falência de múltiplos órgãos, necessitando de ventilação mecânica e uso de medicações vasoativas. Apesar de todas as medidas terapêuticas, a bebê morreu no quarto dia de internação. A causa do óbito foi registrada como choque séptico”, explicou o hospital.

Com informações do portal g1.

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