Canetas injetáveis para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, que utilizam agonistas do receptor GLP-1 (como semaglutida e tirzepatida), promovem perda significativa de peso no curto prazo. No entanto, um estudo publicado no The BMJ revela que a maioria das pessoas recupera o peso perdido em um intervalo relativamente curto após suspender o tratamento.

A pesquisa indica que a recuperação média é de 0,4 kg por mês. Mantido esse ritmo, o peso corporal e os principais marcadores de risco para diabetes e doenças cardiovasculares podem retornar aos níveis anteriores ao uso dos medicamentos em menos de dois anos.
Os autores observam que o restabelecimento de peso após a interrupção dos medicamentos ocorre de forma quase quatro vezes mais rápida do que o observado em pessoas que emagreceram por meio de mudanças no estilo de vida, como dieta e atividade física, independentemente da quantidade de peso perdida durante o tratamento.
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Além do peso corporal, os benefícios metabólicos e cardiovasculares conquistados durante o uso dos agonistas GLP-1 também tendem a desaparecer. “Os marcadores de risco para diabetes e doenças cardíacas foram projetados para retornar aos níveis pré-tratamento em menos de dois anos”, afirmam os pesquisadores. Indicadores cardiometabólicos, como colesterol e pressão arterial, podem voltar aos valores basais em cerca de 1,4 ano após a suspensão da medicação.
O estudo estima que cerca de metade das pessoas com obesidade interrompe o uso desses medicamentos em até 12 meses. Diante disso, os autores destacam: “Essas evidências alertam contra o uso de curto prazo de medicamentos para controle do peso, reforçam a necessidade de mais pesquisas sobre estratégias custo-efetivas para o controle do peso a longo prazo e reiteram a importância da prevenção primária”.
Em editorial relacionado, a pesquisadora Qi Sun, da Escola Médica de Harvard, reforçou: “Os achados do estudo colocam em dúvida a ideia de que os agonistas do receptor GLP-1 sejam uma cura perfeita para a obesidade”. Ela completou: “Práticas alimentares saudáveis e mudanças no estilo de vida devem continuar sendo a base do tratamento e do manejo da obesidade, com os medicamentos utilizados como complemento. Essas práticas não apenas ajudam a prevenir o ganho excessivo de peso, como podem gerar inúmeros benefícios à saúde que vão além do controle do peso”.
A análise reuniu 37 estudos publicados até fevereiro de 2025, envolvendo 9.341 participantes. O tratamento médio durou 39 semanas, com acompanhamento posterior de 32 semanas. Os autores reconhecem limitações, como o número reduzido de estudos com os medicamentos mais recentes e o curto período de acompanhamento após a interrupção, mas destacam que três métodos de análise diferentes produziram resultados semelhantes, reforçando a confiabilidade das conclusões.
Os pesquisadores enfatizam que os medicamentos não devem ser vistos como solução isolada para a obesidade e que mudanças sustentáveis no estilo de vida continuam sendo fundamentais para o manejo a longo prazo.
Com informações do portal UOL.