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Raposa-voadora: conheça o morcego gigante que hospeda o vírus Nipah e os riscos reais da doença no Brasil
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O surto do vírus Nipah na Índia e em Bangladesh, que gerou alerta sanitário global no início de 2026, colocou em evidência a raposa-voadora, morcego do gênero Pteropus, considerado o reservatório natural do patógeno. Com quase 2 metros de envergadura e aparência que lembra a de um cão, esses animais são os maiores morcegos do mundo e despertam curiosidade e temor.

Raposa-voadora da espécie Pteropus poliocephalus
Raposa-voadora da espécie Pteropus poliocephalus (Foto: aquaoz/iNaturalist)

Ao contrário dos morcegos brasileiros, que são noturnos e utilizam ecolocalização para se orientar, as raposas-voadoras têm comportamento crepuscular e se guiam principalmente pela visão. “Enquanto os morcegos do Brasil são completamente noturnos e usam a ecolocalização (radar) para se orientar, as raposas-voadoras se orientam pela visão. Elas têm olhos grandes e comportamento crepuscular, sendo ativas até quando ainda há luz do sol”, explicou o biólogo Roberto Leonan M. Novaes, doutor em Biodiversidade e Biologia Evolutiva pela UFRJ e pesquisador da Fiocruz.

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A dieta desses morcegos é baseada em frutos, néctar e pólen. O risco surge quando o habitat é destruído, aproximando-os de humanos e facilitando o salto do vírus para novas espécies. “Infelizmente essas notícias geram medo nas pessoas, ainda mais depois da pandemia de Covid-19 e a avalanche de fake news que foram e continuam sendo geradas. Mas os morcegos não são os vilões, ao contrário. Morcegos são importantes sentinelas para a saúde do ambiente”, afirmou Leonan.

Sobre a possibilidade de o vírus chegar ao Brasil, o pesquisador é categórico: “Não existem raposas-voadoras e nenhum outro pteropodídeo (família desses morcegos) no Brasil e nem nas Américas. Eles são exclusivos do Sudeste da Ásia, Oceania, Madagascar e algumas regiões da África”. Os oceanos Atlântico e Pacífico funcionam como barreiras intransponíveis, e a linhagem desses morcegos se separou da dos brasileiros há mais de 40 milhões de anos.

A imunidade das raposas-voadoras ao vírus é explicada pelo voo: o metabolismo acelerado eleva a temperatura corporal, criando um ambiente de “febre eterna” que seleciona vírus resistentes. “Essa condição é quase como se os morcegos estivessem sempre com uma febre. Isso acabou selecionando vírus mais resistentes à temperatura em seus organismos”, detalhou o especialista. Para suportar esse estresse, elas desenvolveram um sistema imunológico avançado, com supressão de inflamações exageradas, alta produção de interferons e rápida recuperação do DNA danificado.

Leonan alertou que o verdadeiro problema não está nos morcegos, mas na destruição ambiental: “O problema não está nos morcegos, mas na destruição das florestas. O desmatamento empurra os animais silvestres a viverem cada vez mais perto das cidades”. No Brasil, morcegos prestam serviços ecológicos essenciais: dispersam sementes, polinizam plantas e controlam pragas agrícolas. “A diminuição de morcegos no mundo não o fará mais seguro. Ao contrário: fará mais pobre, mais contaminado e com mais riscos para nossa saúde. Manter a floresta em pé é manter o filtro ecológico que impede esses vírus de chegarem nas pessoas”, concluiu o biólogo.

Embora o Brasil não tenha o vírus Nipah, morcegos locais podem transmitir raiva, doença letal. A orientação é nunca tocar ou capturar o animal. Se encontrado caído (vivo ou morto), isole a área e acione o Centro de Controle de Zoonoses da cidade. Cães e gatos devem ser vacinados anualmente contra raiva.

Com informações do portal g1.

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