A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu temporariamente, na manhã desta terça-feira (10), um suspeito de envolvimento no desaparecimento da família Aguiar, de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A vítima é Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, que não são vistos desde janeiro.

A reportagem apurou que o preso é Cristiano Domingues Francisco, soldado da Brigada Militar e ex-companheiro de Silvana. O delegado responsável pelo caso, Anderson Spier, afirmou que a prisão acontece para “averiguar as informações que carecem de confirmações”.
“Obtivemos alguns elementos na investigação que nos permitiram nesse primeiro momento representar pela prisão temporária de um suspeito. É um primeiro momento, em que todos estão ansiosos pela resolução desse crime”, disse Spier.
A principal linha de investigação é de homicídio. “Não podemos agora revelar o que nos temos. Nós investigamos um crime, mas não podemos dizer nem como e nem o motivo, porque isso pode interferir nos próximos passos”, afirmou o delegado Ernesto Prestes.
Na segunda-feira (9), o caso foi discutido em reunião com autoridades. Participaram agentes da Polícia Civil, delegados e também a subchefe da Polícia Civil no RS, Patrícia Tolotti. Na ocasião, a polícia confirmou que o cartucho encontrado na casa do casal de idosos é de festim.
Spier afirmou que o encontro serviu para que todos pudessem se debruçar ainda mais sobre o caso e confrontar detalhes da investigação.
Segundo a reportagem apurou com a Brigada Militar, a Corregedoria da corporação passou a colaborar com o caso, o que levanta a suspeita de que um policial militar esteja envolvido. As autoridades não divulgaram quem é o policial nem qual seria seu envolvimento.
A Corregedoria é responsável por fiscalizar a conduta dos policiais militares e apurar possíveis infrações disciplinares e criminais. Essa etapa ocorre paralelamente ao trabalho da Polícia Civil, responsável pela investigação do desaparecimento.
Na manhã de segunda-feira (9), o delegado informou à reportagem que mais pessoas devem ser ouvidas nesta semana e que aguarda laudos de perícias feitas em casas, carros e imagens de câmeras de segurança.
Um celular encontrado também passa por perícia. O aparelho estava nas imediações da casa dos idosos.
A Polícia Civil não comenta detalhes das perícias que já foram concluídas. Até agora, não há informações sobre o que aconteceu com a família. Para os investigadores, a principal suspeita é de que tenha acontecido um crime.
Silvana de Aguiar foi vista pela última vez em 24 de janeiro. Na mesma data, uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu, e o objetivo da postagem era despistar o desaparecimento. Desde então, seu celular está desligado e ela não fez mais contato.
Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais saíram para procurar a filha no domingo (25). Segundo o delegado Anderson Spier, o casal chegou a ir à delegacia distrital para registrar o sumiço, mas a unidade estava fechada. Depois disso, eles também não foram mais vistos.
A polícia confirmou que o acidente de trânsito relatado por Silvana não aconteceu e descarta a hipótese de sequestro, pois não houve nenhum pedido de resgate. As principais suspeitas são de homicídio ou cárcere privado.
O carro de Silvana foi encontrado na garagem de sua casa, com a chave no interior da residência, o que reforça a tese de que ela não viajou.
Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica na noite de 24 de janeiro. Um carro vermelho entrou na residência da filha às 20h34 e saiu oito minutos depois. Às 21h28, o veículo de Silvana entrou na garagem.
Mais tarde, às 23h30, outro carro chegou, permaneceu por 12 minutos e foi embora. A polícia investiga se era ela quem dirigia seu próprio carro e busca identificar os outros veículos, que podem tratar-se do mesmo.
Silvana é filha única do casal e mora nas proximidades. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e tem um filho de 9 anos. O menino estava com o pai no fim de semana do desaparecimento.
A filha trabalha com os pais, que são donos de um pequeno mercado que funciona junto à residência da família. Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar são descritos como queridos e tranquilos pelos parentes e vizinhos. Eles tinham um bom relacionamento com a filha.
Com informações do portal g1.