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Pode hoje? Saiba a origem católica da abstinência de carne na Quarta-feira de Cinzas e sua ligação com a Quaresma
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A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma no calendário católico, um período de 40 dias de preparação espiritual para a Páscoa, caracterizado por práticas de penitência, oração e caridade. Nesse dia, fiéis católicos em todo o mundo, incluindo no Brasil, observam a tradição de abster-se de carne vermelha e de aves, uma regra que reflete o sacrifício de Jesus Cristo na cruz e serve como forma de disciplina espiritual. Essa abstinência não é apenas uma restrição alimentar, mas um ato simbólico de renúncia que conecta os devotos à Paixão de Cristo, especialmente ao recordar que Jesus, segundo a fé cristã, sacrificou sua carne na Sexta-feira Santa.

Prática de não comer carne na Quarta-feira de Cinzas remonta aos primeiros séculos do cristianismo (Foto: Eduardo Robles Pacheco/Flickr)

De acordo com as normas da Igreja Católica Romana, a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa são dias obrigatórios de jejum e abstinência para católicos entre 18 e 59 anos, enquanto a abstinência de carne se aplica a todos a partir dos 14 anos. Nesses dias, o jejum permite apenas uma refeição completa e duas menores, sem carne, enquanto nos demais sextas-feiras da Quaresma, a abstinência de carne é mantida, mas sem o jejum rigoroso. A carne aqui refere-se à de mamíferos e aves, como boi, porco, frango e peru, mas peixes e frutos do mar são permitidos, pois não são classificados como “carne” no sentido litúrgico latino da palavra “caro”.

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Essa prática remonta aos primeiros séculos do cristianismo, inspirada em passagens bíblicas como o jejum de Daniel no Antigo Testamento, que evitou carnes e vinhos por três semanas como ato de penitência, e nas instruções de Jesus no Novo Testamento sobre o jejum como disciplina espiritual. A abstinência nas sextas-feiras, incluindo as da Quaresma, homenageia o dia da crucificação de Cristo, uma tradição observada desde o século I como um “jejum negro” sem carne. No contexto da Quaresma, o período simboliza os 40 dias de jejum de Jesus no deserto, preparando os fiéis para a celebração da Ressurreição por meio de renúncias que “restringem falhas, elevam a mente e concedem virtudes e recompensas”, como resume a liturgia católica.

No Brasil, onde o catolicismo é majoritário, essa tradição se mistura a costumes locais, mas segue as diretrizes universais da Igreja, adaptadas por conferências episcopais. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reforça que a abstinência pode ser substituída por atos de caridade em alguns casos, mas a essência permanece: uma oportunidade para reflexão e solidariedade. Assim, a proibição de carne na Quarta-feira de Cinzas não é mero ritual, mas um pilar da Quaresma, convidando os fiéis a uma jornada de purificação espiritual rumo à Páscoa.

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