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Pesquisadores apontam vacina contra herpes-zóster e Viagra como promissores no combate ao Alzheimer
Termômetro da Política
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Pesquisadores da University of Exeter identificaram três medicamentos já aprovados e em uso clínico que apresentam potencial para ser reaproveitados no tratamento ou na prevenção da doença de Alzheimer. O estudo, financiado pela Alzheimer’s Society e apoiado pelo National Institute for Health and Care Research (NIHR), pelo Exeter Biomedical Research Centre e pelo NIHR HealthTech Research Centre in Brain Health, foi publicado na revista Alzheimer’s Research and Therapy.

(Imagem: http://www.quotecatalog.com/)
Sildenafila – princípio ativo do Viagra – melhorou funções de raciocínio e memória, possivelmente por aumentar o fluxo sanguíneo cerebral (Foto: Stock Catalog/Flickr)

Em vez de desenvolver novos compostos do zero — um processo que pode levar de 10 a 15 anos e custar bilhões de libras sem garantia de sucesso —, os cientistas analisaram fármacos existentes para avaliar se algum deles poderia proteger o cérebro contra os mecanismos da doença. Um painel internacional de 21 especialistas em demência, incluindo acadêmicos, médicos e representantes da indústria farmacêutica, além de pessoas afetadas pela condição, examinou 80 medicamentos atualmente utilizados para outras indicações.

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Após várias rodadas de avaliação, o grupo selecionou três “candidatos prioritários” com base em evidências de ação em processos biológicos relacionados ao Alzheimer, resultados positivos em estudos com células e animais, e perfil de segurança favorável para uso em idosos.

Os três fármacos destacados são:

  • Vacina contra herpes-zóster (Zostavax): estudos anteriores sugerem uma possível ligação entre o vírus do herpes-zóster e o risco de demência. A vacina modula o sistema imunológico de forma que pode neutralizar alterações prejudiciais associadas ao Alzheimer. Pesquisas observacionais indicam que pessoas vacinadas apresentam cerca de 16% menos probabilidade de desenvolver demência. Por exigir no máximo duas doses e ter longo histórico de segurança, a vacina foi considerada a candidata mais promissora pelo painel.
  • Sildenafila (Viagra): pesquisas apontam que o medicamento pode proteger células nervosas e reduzir o acúmulo anormal da proteína tau, uma das principais alterações patológicas no Alzheimer. Em experimentos com camundongos, a sildenafila melhorou funções de raciocínio e memória, possivelmente por aumentar o fluxo sanguíneo cerebral.
  • Riluzol: já prescrito para doença do neurônio motor (esclerose lateral amiotrófica), o fármaco demonstrou melhorar o desempenho cognitivo e reduzir níveis de tau em estudos com animais.

Os pesquisadores defendem agora a realização de ensaios clínicos robustos para confirmar se esses medicamentos realmente beneficiam pessoas com Alzheimer diagnosticado ou em estágio de risco. Eles planejam utilizar o registro PROTECT — uma plataforma on-line no Reino Unido em que voluntários respondem anualmente a questionários sobre saúde, estilo de vida e funções cerebrais — para conduzir um grande estudo no país.

Cinco outros medicamentos chegaram a integrar uma lista preliminar, mas não foram classificados como prioritários: fingolimode (esclerose múltipla), vortioxetina (transtorno depressivo maior), microlítio (depressão), dasatinibe (leucemia) e citisina (anestésicos).

A Dra. Anne Corbett, professora de pesquisa em demência da University of Exeter, destacou a importância estratégica do reaproveitamento de fármacos: “Vencer a demência exigirá todas as frentes de pesquisa — desde usar o que já sabemos até descobrir novos medicamentos para tratar e prevenir a condição. O reaproveitamento de medicamentos é uma parte vital desse conjunto, ajudando-nos a transformar o remédio de hoje para uma condição no tratamento de amanhã para outra. É importante enfatizar que esses medicamentos precisam de investigação adicional antes de sabermos se podem ser usados para tratar ou prevenir o Alzheimer. Agora precisamos de ensaios clínicos robustos para entender seu verdadeiro valor e saber com certeza se são eficazes para tratar ou prevenir o Alzheimer.”

A professora Fiona Carragher, diretora de política e pesquisa da Alzheimer’s Society, reforçou o potencial transformador da estratégia: “A demência devasta vidas, mas acreditamos que a pesquisa vai vencê-la. Anos atrás, vimos a aspirina ser reaproveitada de analgésico para ajudar pessoas a reduzir o risco de ataque cardíaco ou derrame. É isso que queremos ver no campo da demência e por isso acreditamos que o reaproveitamento de medicamentos é uma das fronteiras mais empolgantes da pesquisa sobre demência.”

A demência é a principal causa de morte no Reino Unido, afetando cerca de um milhão de pessoas. Estima-se que uma em cada três pessoas nascidas hoje desenvolverá a condição ao longo da vida. O Alzheimer responde por mais da metade dos casos de demência, e ainda não existe cura disponível.

Com informações de O Globo.

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