O cantor de funk João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original, é apontado pela Polícia Civil de São Paulo como suspeito de manter ligação com uma organização criminosa investigada por golpes digitais, lavagem de dinheiro e promoção de apostas ilegais. No momento, ele é considerado foragido.

De acordo com a investigação, o artista foi identificado por manter ligação direta com pelo menos um dos apartamentos apontados como base operacional do grupo. No local, os policiais apreenderam notebooks, celulares e equipamentos considerados compatíveis com a prática de estelionato.
Os imóveis eram utilizados como centrais para aplicação de fraudes. Entre os golpes praticados está o esquema em que as vítimas eram induzidas a instalar um aplicativo malicioso, que se passava por um sistema oficial da Previdência Social. Após a instalação, os criminosos conseguiam espelhar o celular e obter acesso remoto aos dados e às contas bancárias, permitindo transferências e outras movimentações financeiras sem autorização.
Relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também apontaram movimentações consideradas atípicas e incompatíveis com a renda declarada pelo cantor. As análises identificaram transações entre ele e pessoas ligadas aos imóveis utilizados como bases operacionais da organização.
O delegado Fernando Góes falou sobre a relação do cantor com o esquema:
“Foi identificado ligações entre ele com membros dessa associação criminosa, inclusive com apartamentos que eram utilizados como base para cometimentos de crimes de estelionato. Percebeu-se que esse mesmo indivíduo, ele atuava por meio de uma bete clandestina, induzindo seus fãs, seus seguidores em redes sociais a jogarem nessa bet”
O delegado também afirmou que o funkeiro utilizava as redes sociais para incentivar fãs e seguidores a apostar em uma plataforma considerada clandestina. Segundo a investigação, o site teria sido desenvolvido para favorecer os operadores e dificultar ou impedir o saque de valores pelos usuários, caracterizando mais uma forma de fraude.
O advogado do cantor, Robson Cyrillo, rebateu as acusações e afirmou que o artista declara regularmente a origem dos recursos que recebe:
“Quando tivemos acesso aos autos, o João Vitor, ele encontra-se fora de São Paulo, cumprindo a agenda. E tão logo eu tenho acesso e ele retorna em São Paulo, ele virá prestar os esclarecimentos devidos e necessários. Mas ele é uma pessoa idônea, declara toda a origem e lista do seu dinheiro. Ele é um músico, não é um bandido. E maiores informações somente após o acesso aos autos”
A investigação faz parte da Operação Fim da Fábula, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo para desarticular uma organização criminosa especializada em golpes digitais e lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram cumpridos 120 mandados de busca e apreensão e 53 mandados de prisão em diferentes estados. Até o momento, 12 pessoas foram presas. Os investigadores identificaram 86 contas bancárias ligadas ao esquema, com movimentação suspeita de cerca de 100 milhões de reais.
Durante a operação, foram apreendidos veículos, joias, dinheiro em espécie, celulares, computadores e documentos. A polícia afirma que o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de funções e uso de empresas de fachada e contas em nome de terceiros para ocultar e movimentar os valores obtidos ilegalmente.
Com informações da CBN.