O número de mortos em decorrência das fortes chuvas que atingem a Zona da Mata de Minas Gerais subiu para 72, conforme atualização divulgada na manhã deste domingo por autoridades estaduais. A tragédia concentrou-se principalmente em Juiz de Fora, com 65 óbitos, e em Ubá, onde foram registradas sete mortes.
A informação foi apresentada durante coletiva de imprensa conjunta realizada por representantes da Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Polícia Militar. Até o dia anterior, o balanço oficial apontava 70 mortos e três desaparecidos nos dois municípios mais afetados.

Desde a noite de segunda-feira, equipes do Corpo de Bombeiros recuperaram 61 corpos soterrados por desabamentos em Juiz de Fora e sete em Ubá. O delegado-geral Eurico da Cunha Neto, chefe do 4º Departamento de Polícia Civil em Juiz de Fora, esclareceu a variação entre os totais divulgados por diferentes órgãos: “Os números variam porque nem todos os corpos que foram levados ao IML foram encontrados pelos bombeiros”, uma vez que algumas vítimas resgatadas ainda com vida vieram a óbito após receberem atendimento médico.
O coronel Joselito Oliveira de Paula, comandante do 3º Comando Operacional do Corpo de Bombeiros, destacou a eficiência das operações de resgate em Juiz de Fora, onde, em média, um corpo era recuperado em menos de duas horas.
Na noite de ontem, foi localizado o corpo de Pietro Cesar Teodoro Freitas, menino de 9 anos que era o último desaparecido em Juiz de Fora. A vítima foi encontrada por volta das 20h, no bairro Paineiras, em uma das áreas mais difíceis de acesso. “Era um terreno muito íngreme, instável, com bastante rocha”, descreveu o comandante dos bombeiros, que contou com apoio de cães farejadores e maquinários pesados nas buscas.
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Em Ubá, permanece uma única pessoa desaparecida, arrastada pelas enchentes. As equipes de resgate seguem mobilizadas no município. Ontem, outro corpo dado como desaparecido foi encontrado por um civil, que acionou imediatamente as autoridades.
Com o encerramento da fase mais crítica de buscas e resgates, as ações das autoridades mudam de foco. A Defesa Civil — nas esferas municipal, estadual e federal — manterá operações de vistoria em áreas de risco nos próximos dias, com possibilidade de ampliar zonas isoladas e evacuadas, conforme informou o tenente-coronel Wenderson Duarte Marcelino, coordenador estadual adjunto do órgão. Reforços foram enviados também aos municípios de Matias Barbosa e Cataguases.
A Polícia Militar anunciou intensificação do policiamento em imóveis atingidos pelas chuvas e em locais de abrigo temporário. O coronel Lúcio Ferreira da Silva Neto, comandante da 4ª região da PM, declarou: “Encerramos um ciclo de trabalho, extenuante, intenso, desgastante (…), e um novo ciclo se inicia, focando todos os nossos esforços que, até então, estavam empregados em ações de busca e apoio aos bombeiros, na proteção do patrimônio daqueles que já foram vítimas, para que não sejam novamente vitimados”.
As autoridades alertam para o risco de golpes envolvendo falsas campanhas de doação. O delegado-geral Eurico da Cunha Neto orientou: “A gente orienta a população que não faça Pix se não conhecer exatamente para onde esse dinheiro está indo”. Ele recomendou que doações sejam feitas exclusivamente por canais oficiais do governo.
O temporal que devastou a região deixou milhares de desabrigados. Segundo a Defesa Civil mineira, as chuvas agora se deslocam para outras áreas do estado, com registros de enchentes e inundações no leste e no norte de Minas Gerais. Há previsão de intensificação nos próximos dias. Na Zona da Mata, o tempo deve permanecer sem precipitações por pelo menos uma semana, conforme avaliação do coordenador estadual adjunto.
Com informações do portal UOL.