O delegado Ângelo Lajes, titular da 12ª DP (Copacabana), classificou como “emboscada planejada” o estupro coletivo sofrido por uma adolescente de 17 anos na noite de 31 de janeiro, em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo o delegado, a vítima foi levada a erro por um adolescente com quem já havia mantido relacionamento anterior, acreditando que se trataria de um encontro romântico.

“A gente trata esse caso como uma emboscada planejada. Ela foi levada a erro por esse garoto, esse menor que já tinha um relacionamento anterior com ela. Ela achou que estava indo para lá para ter um encontro romântico com esse adolescente infrator. Só que chegou lá havia mais quatro adultos e aconteceu tudo que aconteceu”, explicou Lajes neste sábado (28). Ele acrescentou: “Ela sofreu violência sexual, física e psicológica”.
O inquérito policial indiciou quatro jovens maiores de idade pelo crime de estupro com concurso de pessoas: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho. A defesa de João Gabriel negou a prática do crime; os advogados dos demais não se manifestaram. A conduta do adolescente envolvido foi desmembrada para apuração na Vara da Infância e Juventude, sem revelação de sua identidade.
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A jovem chegou à delegacia logo após os fatos, apresentando lesões visíveis e sangramento. “Ela chegou aqui muito lesionada e isso chamou muita atenção dos investigadores. Ela estava sangrando. No momento que ela chegou aqui nós tentamos fazer a prisão em flagrante dos criminosos. Nós fomos até o local onde o crime tinha acabado de acontecer, mas infelizmente naquele momento a gente não conseguiu efetuar a prisão”, relatou o delegado.
Mandados de prisão contra os quatro indiciados foram expedidos, mas nenhum foi localizado até o momento. A investigação reuniu elementos técnicos robustos antes da representação pelas prisões preventivas: laudo de exame de corpo de delito, imagens das câmeras de segurança do prédio e reconhecimento fotográfico da vítima. “A gente juntou o laudo do exame de corpo delito, a gente captou as imagens do crime e ela fez o reconhecimento dos autores. Então a gente teve certeza da autoria e da materialidade para exatamente conseguir os mandados de prisão”, detalhou Lajes.
O laudo pericial constatou lesões compatíveis com violência física, incluindo infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, sangue no canal vaginal e três grupos de equimoses nas regiões dorsal e glúteas. Testes rápidos deram positivo, e materiais foram coletados para exames genéticos e análise de DNA.
As imagens das câmeras de segurança do edifício mostram a chegada da adolescente acompanhada pelo menor na portaria, a entrada no apartamento e sua saída posterior. Após acompanhá-la até a saída do prédio, o adolescente retorna ao imóvel fazendo gestos descritos pelos investigadores como de “comemoração”. Há ainda registros da saída dos investigados em horários próximos ao ocorrido.
Prints de conversas no WhatsApp entre a vítima e o adolescente foram anexados ao inquérito. Nas mensagens, ele a convida para o endereço, pergunta se ela poderia levar uma amiga e, ao receber negativa, diz que não haveria problema em ir sozinha. As trocas incluem a combinação do encontro na portaria e os horários de chegada informados pela jovem.
Em depoimento prestado na presença da avó, a adolescente relatou que foi convidada pelo colega de escola para o apartamento de um amigo dele. No elevador, o rapaz avisou que dois amigos estariam presentes e insinuou “algo diferente”, o que ela recusou. No quarto, enquanto mantinha relação com o adolescente, outros três jovens entraram, fizeram comentários e um deles passou a tocá-la sem consentimento. Ela concordou, sob insistência, apenas com a permanência deles no local, desde que não a tocassem. No entanto, segundo o relato, os jovens tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la sem autorização. A vítima afirmou ter sido forçada a praticar sexo oral e sofreu penetração pelos quatro. Relatou tapas, socos e um chute na região abdominal, além de ter tentado sair do quarto e sido impedida.
Ao deixar o apartamento, a adolescente enviou áudio ao irmão relatando que acreditava ter sido estuprada, contou o ocorrido à avó e procurou a delegacia.
O delegado destacou a gravidade do crime, qualificado pela menoridade da vítima e pelo concurso de pessoas, com possibilidade de aumento de pena. “Eles cometeram o crime de estupro, esse crime de estupro ele é qualificado pelo fato da vítima ser menor de 18 anos e ainda há uma causa de aumento de pena pelo fato do crime ter sido cometido de forma coletiva”. “Eles vão estar sujeitos a uma pena de quase 20 anos de reclusão”, afirmou Lajes.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
A defesa de João Gabriel se pronunciou com a seguinte nota:
“A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo, mensagens de texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação”.
Com informações do portal g1.