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Furto de módulos eletrônicos de motos vira rotina em São Paulo e paralisa trabalho de entregadores
Termômetro da Política
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Um vídeo flagrado por câmeras de segurança mostra a rapidez com que um ladrão furtou os módulos eletrônicos de quatro motocicletas em pouco mais de um minuto, em plena luz do dia, na capital paulista. A ação, registrada por volta das 9h30 de uma terça-feira, demonstra a ousadia do crime que tem se multiplicado na cidade.

Ladrão rouba módulo de quatro motos em menos de um minuto
Ladrão rouba módulo de quatro motos em menos de um minuto (Foto: Reprodução/TV Globo

O módulo é considerado o “cérebro” da motocicleta. “Ele gerencia todo o funcionamento da motocicleta. Sem ele, o motor não funciona. É como tentar ligar a moto sem a chave”, explica o mecânico Alexandre Sauro.

Para quem depende da moto no dia a dia, o problema já virou rotina. “Direto. Vira e mexe, o cara tenta ligar a moto, não consegue, vai ver tá sem o módulo”, relata o motoqueiro Carlos Barros.

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Não há números oficiais sobre a quantidade de módulos furtados diariamente. A Secretaria da Segurança Pública não disponibiliza estatísticas específicas, e muitas vítimas nem registram boletim de ocorrência. Ainda assim, empresas que operam câmeras de segurança em São Paulo apontam ao menos três casos por dia.

“Eu tive duas vezes, meu irmão teve uma”, conta o entregador Bruno Henrique, que perdeu o equipamento enquanto trabalhava.

O custo para substituir o módulo varia de R$ 1.200 a R$ 7 mil — podendo chegar a R$ 8 mil, dependendo da marca e da cilindrada. Sem a peça, a moto não liga e o dia de trabalho é perdido.

O furto segue um procedimento simples: os criminosos quebram a trava plástica do banco, puxam o chicote e desplugam a peça. “Sai facilmente. Não tem mistério nenhum pra eles”, descreve o mecânico Alexandre.

O efeito é imediato para a vítima. “Tem que parar de trabalhar. A moto não liga”, resume Bruno.

Diante do risco, alguns motociclistas tentam proteger o módulo por conta própria. Bruno diz que ele e a família esconderam o componente “debaixo do tanque”.

Outros recorrem a protetores de ferro com parafusos específicos para dificultar a retirada.

A revenda clandestina persiste porque, em modelos de baixa cilindrada — comuns entre entregadores —, não há vinculação digital do módulo ao veículo, o que facilita a comercialização irregular.

“A pessoa prefere buscar uma loja ou e-commerce clandestino em vez da concessionária”, afirma Arnaldo Rocha Júnior, delegado da Polícia Civil de São Paulo.

A demanda por módulos mais baratos retroalimenta o ciclo. O motoqueiro Marcos Cardoso admite o dilema: “Você vai achar por R$ 250, R$ 300, mas eu poderia estar comprando o módulo meu que foi roubado.”

Com informações do Fantástico.

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