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Chefe do Comando Vermelho e mais 6 morrem em operação da PM; bandidos queimam ônibus e bloqueiam ruas no Rio
Termômetro da Política
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Claudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló dos Prazeres, de 55 anos, um dos chefes mais antigos e procurados do Comando Vermelho (CV), foi morto nesta quarta-feira (18) durante operação da Polícia Militar no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. Além dele, outros seis suspeitos morreram na ação.

Operação tem como objetivo cumprir mandados de busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho suspeitos de envolvimento em roubos de veículos e tráfico de drogas na região da Lapa (Foto: Reprodução)

A operação foi realizada por agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que entraram nas comunidades nas primeiras horas do dia. Houve intensa troca de tiros na chegada das equipes. Ao todo, 151 policiais participaram da ação, com o apoio de 14 viaturas e dois blindados.

De acordo com a PM, a operação tem como objetivo cumprir mandados de busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho suspeitos de envolvimento em roubos de veículos e tráfico de drogas na região da Lapa. A corporação informou que, nesta terça-feira (17), policiais civis e militares estiveram nas comunidades para cumprir, no total, 28 mandados de prisão preventiva contra integrantes do CV que operam a venda de entorpecentes na região da Lapa — três dos alvos já estavam encarcerados.

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Em represália à morte de Jiló, criminosos atearam fogo em um ônibus e bloquearam acessos no Rio Comprido, na Região Central do Rio. Um dos ônibus foi incendiado na Avenida Paulo de Frontin, um dos principais acessos ao Túnel Rebouças, que liga o Centro à Zona Sul. Por volta das 11h45, a via estava interditada no sentido Lagoa.

Mais cedo, por volta das 10h, outros ônibus já eram usados para bloquear ruas da região. No mesmo horário, o comércio no Rio Comprido funcionava parcialmente, após ordem de traficantes para fechamento das lojas.

De acordo com o Centro de Operações Rio (COR), há interdições intermitentes em vias da região. Os bloqueios atingem a Rua Itapiru, no Catumbi, e as ruas Barão de Petrópolis, Estrela e a própria Avenida Paulo de Frontin.

Vários ônibus tiveram as chaves retiradas e foram utilizados como barricadas durante a ação. Em nota, o Rio Ônibus informou que algumas linhas tiveram os itinerários alterados.

Os ônibus atingidos foram:

  • A72088 – 410 Saens Peña x Gávea
  • A72034 – 410 Saens Peña x Gávea
  • A48062 – 202 Rio Comprido x Castelo
  • A48046 – 202 Rio Comprido x Castelo
  • A72061 – 111 Central x Leblon (incendiado)
  • A72089 – 507 Silvestre x Largo do Machado
  • A72058 – 007 Silvestre x Central

As linhas impactadas incluem:

  • 201 Santa Alexandrina x Castelo
  • 202 Rio Comprido x Castelo
  • 410 Saens Pena x Gávea
  • 133 Largo do Machado x Terminal Gentileza
  • 006 Silvestre x Castelo
  • 007 Silvestre x Central
  • 507 Silvestre x Largo do Machado
  • 111 Central x Leblon
  • 109 São Conrado x Terminal Gentileza
  • 014 Paula Mato x Central

Jiló dos Prazeres era o chefe da comunidade dos Prazeres e um dos criminosos mais respeitados dentro da facção. Segundo a polícia, ele era o principal responsável pela quadrilha que atua roubando na Zona Sul do Rio. Ele tinha pelo menos 8 mandados de prisão em aberto por vários crimes, como sequestro e cárcere privado, tráfico de drogas e constrangimento ilegal, entre outros. O bandido tinha 135 passagens pela polícia.

Jiló era um dos envolvidos na morte do turista italiano Roberto Bardella, de 52 anos, em dezembro de 2016, no Morro dos Prazeres, quando ele e o primo Rino Polato, de 59, estavam em duas motocicletas e entraram na comunidade por engano.

O turista morto era casado e tinha um filho. Bardella tinha uma empresa de administração condominial com a mulher. Os dois amigos viajavam em motos pela América do Sul e já tinham passado pelo Paraguai e Argentina, além de Curitiba e Foz do Iguaçu, onde visitaram as Cataratas.

Roberto Bardella foi baleado na cabeça e no braço e morreu na hora. Por sua vez, Polato foi capturado pelos bandidos, que forçaram a entrar num carro e deixaram o corpo de Roberto no porta-malas. O veículo circulou pela favela durante cerca de 2 horas, até vir a ordem do chefe do tráfico para liberar os dois. Rino foi deixado, junto com o corpo de Roberto, numa praça num bairro vizinho a Santa Teresa.

A Polícia Civil investiga o caso para responsabilizar quem disparou contra os PMs e saber de quais armas partiram os disparos que atingiram as seis pessoas: se do suspeito ou dos agentes. O caso deverá ser registrado no 47º Distrito Policial (DP), Capão Redondo, mas, pelo fato de envolver policiais militares, talvez siga para a investigação do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Com informações do portal g1.

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