Geral - -
Tenente-coronel da PM é preso em São José dos Campos por feminicídio da esposa soldado
Termômetro da Política
Compartilhe:

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18) em um apartamento na rua Roma, no Jardim Augusta, região central de São José dos Campos (SP). Ele é indiciado por feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no mês passado.

Suspeito será levado para o 8º DP, na capital, onde deverá ser interrogado e formalmente indiciado (Foto: Reprodução)

Imagens obtidas pela Rede Vanguarda mostram o momento da prisão, por volta das 8h12. Cerca de 40 minutos depois, às 8h50, o oficial foi levado por um comboio de agentes da Polícia Civil e da corregedoria da PM. Na saída, em meio ao tumulto, houve uma colisão entre duas viaturas, sem feridos.

A Polícia Civil informou que o suspeito será levado para o 8º DP, na capital, onde deverá ser interrogado e formalmente indiciado. Após esses procedimentos, o tenente-coronel deve passar por exames de corpo de delito e então será levado para o Presídio Militar Romão Gomes, na capital. A expectativa da polícia é que o Inquérito Policial Militar (IPM) seja concluído nos próximos dias.

O advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa a família de Gisele, celebrou a prisão: “desde o início a família não acreditou que a Gisele poderia ter cometido suicídio, no primeiro contato na delegacia a mãe disse isso em depoimento e nós buscamos demonstrar o perfil do coronel. A gente aguarda agora que ele responda, que ele seja denunciado formalmente pelo Ministério Público, seja processado, vá a júri e seja condenado. Isso é o que espera a família”.

Leia também
‘Homem-Aranha: Um Novo Dia’ confirma retorno de Tom Holland, e ainda Sadie Sink, Zendaya, Justiceiro e Hulk

Já o advogado Eugênio Malavasi, que defende o tenente-coronel, disse que a Justiça Militar é incompetente para analisar, processar e julgar o caso e, especialmente, para decretar medidas cautelares. O criminalista afirmou que vai suscitar conflito de competência com a Justiça comum (Tribunal do Júri).

A prisão foi decretada pela Justiça Militar após a Polícia Técnico-Científica anexar ao processo laudos que indicam trajetória da bala que atingiu a cabeça e profundidade dos ferimentos encontrados. Os documentos confirmaram que Gisele não estava grávida nem dopada, mas que havia mais manchas de sangue da soldado espalhadas por outros cômodos do apartamento.

Apesar da conclusão do laudo toxicológico, que não indicou consumo de drogas ou bebidas por Gisele, a delegacia aguarda ainda mais resultados complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) para concluir o inquérito. Eles devem esclarecer a dinâmica do disparo ocorrido há um mês.

O caso ocorreu na manhã do dia 18 de fevereiro. O corpo da vítima foi exumado, e o laudo necroscópico apontou lesões no rosto e no pescoço da mulher.

O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas passou a ser investigado como possível feminicídio após decisão judicial.

A defesa do tenente-coronel sustenta que a soldada tirou a própria vida e diz aguardar a conclusão dos laudos periciais. Já a família da vítima contesta essa versão e afirma que Gisele foi vítima de feminicídio.

Mensagens enviadas pela policial a uma amiga, divulgadas pela defesa da família, indicam que Gisele enfrentava problemas no relacionamento. Em um dos trechos, Gisele afirma: “Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata”.

Em depoimento, a mãe da vítima afirmou que a filha vivia um relacionamento abusivo e que o oficial era controlador e violento.

Laudos da perícia apontaram lesões no rosto e no pescoço da policial, além de indicarem que o disparo foi feito à queima-roupa. Também não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos dela, o que levanta dúvidas sobre a hipótese de suicídio.

Quase um mês após a morte de Gisele Santana, a defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto ainda sustenta a versão de que a soldado se suicidou com um tiro na cabeça no apartamento do casal em São Paulo.

“A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil com a juntada de todos os laudos e externa a confiança na palavra do coronel: de que trata-se de suicídio”, disse no sábado (14) ao g1 o advogado Eugênio Malavasi, que defende o coronel Geraldo, da Polícia Militar (PM). “E isso será comprovado de forma cristalina ao final da investigação”.

Já o advogado que defende os interesses da família de Gisele subiu o tom ao alegar que a morte da soldado foi consequência de um crime, o feminicídio — cometido, segundo ele, pelo próprio marido dela, o coronel Geraldo.

“Eu não tenho dúvidas que ele [coronel Geraldo] matou ela [Gisele]. Mas cabe à polícia provar”, disse o advogado José Miguel da Silva Júnior também no sábado à equipe de reportagem.

Com informações do portal g1.

Compartilhe:
Palavras-chave
geraldo leite