O cardiologista Daniel Kollet, de 55 anos, preso por suspeita de abusar de pacientes, enfrenta novas acusações de assédio sexual cometidas contra ex-funcionárias. As denúncias foram reveladas ao programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo (13). Uma ex-funcionária que trabalhou com o médico em um hospital no Rio Grande do Sul relatou episódios de assédio. “Ele tentava me beijar e eu tentava tirar. Ele pegava com força minha mão e enfiava minha mão dentro da calça. Eu chegava a sair com os punhos vermelhos”, contou a vítima, que não foi identificada. “Eu fiquei em choque, não sabia o que fazia.”

Outra vítima, uma enfermeira, disse que acordou com o médico em cima dela. “Acordei com ele com as calças abaixadas em cima de mim. Tentei me desvencilhar dele, mas como eu estava com uma mão embaixo da cabeça, ele tentava levantar minha blusa, tirar minha roupa, até que comecei a gritar. E quando fui fazer a queixa para a minha chefia, eles não deram muita importância. E eles me demitiram mesmo assim. Sem prestar apoio nenhum”, relatou. A enfermeira afirmou ainda que ninguém acreditava nas denúncias. “A gente olha no comentário das redes sociais, das mulheres falando: ‘Ai, por que não denunciou antes?’ Acham que é fácil. As pessoas não acreditam na gente. Precisou 30 mulheres passarem praticamente pela mesma coisa para daí alguém dar ouvido, para realmente acreditarem que foi verdade, que realmente aconteceu.”
A defesa do médico afirmou ao Fantástico que “fatos são antigos” e que Kollet nega todas as acusações. “Verificamos que a grande maioria dos fatos mencionados refere-se a relatos antigos, remontando a anos atrás, bem como que há menções envolvendo pessoas que, em princípio, sequer eram pacientes do profissional investigado, circunstâncias que serão devidamente apuradas no decorrer do processo”, diz a nota. “A defesa afirma que seu cliente mantém a negativa quanto às imputações que lhe são atribuídas, aguardando o regular andamento do processo para o devido esclarecimento.” Os advogados informaram ainda que não vão se manifestar sobre casos individualizados “em razão do sigilo que envolve os procedimentos, bem como para preservar a adequada condução da apuração e o próprio exercício do direito de defesa”.
O caso já reúne mais de 40 denúncias. Na semana da prisão do médico, o delegado Valeriano Garcia Neto informou ao UOL que 28 mulheres haviam registrado ocorrência. No Fantástico desta noite, o número já ultrapassava 40. “Como ele trabalha em Taquara há 20 anos, acho que vai passar de centena o número de vítimas. O crime mais antigo que tivemos conhecimento faz 20 anos”, disse o delegado ao UOL no início de abril.
As vítimas tinham idades variadas. Segundo o delegado, o médico despia as pacientes durante os exames, abraçava-se a elas e as tocava. “Ele pedia segredo, dizendo que era uma demonstração de carinho e também sob pretexto de orientação espiritual. Há relatos de estupro de vulnerável, porque uma das vítimas foi sedada. Ele se dizia médium e dizia querer sentir a energia das vítimas”, explicou Valeriano Garcia Neto.
Uma das vítimas era casada com um amigo de longa data de Kollet. Ela se consultava com o cardiologista desde 2024 e estranhou o comportamento dele desde o início. Ao examiná-la, o médico teria apalpado sua barriga e seus seios, enquanto estava com ereção, dizendo ser médium e querer abraçá-la para passar “uma energia boa”. No ano passado, ela passou por situação semelhante e relatou ao marido, mas não registrou ocorrência por medo de julgamentos.
Outra paciente contou que, após um exame em que ficou sem a parte de cima da roupa, o médico se aproximou por trás enquanto ela se vestia e passou a mão em seus seios. Uma terceira vítima relatou que, após ficar só de calcinha no consultório, Kollet disse que ela estava bem, deu um abraço e passou as mãos em suas costas e ombros, tentando tocar seus seios. Ao final, ele teria elogiado o abraço e dito que a situação seria “um segredo que ficaria entre eles”.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) informou, em nota, que já tomou medidas administrativas para investigar o caso. “A situação é grave e deve ser apurada com rigor. Se comprovada a denúncia, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis”, afirma o texto.
Com informações do portal UOL.