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PF investiga Deolane Bezerra por suspeita de lavagem de dinheiro em esquema que movimentou R$ 1,6 bilhão
Termômetro da Política
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A Polícia Federal em São Paulo investiga a advogada e influenciadora Deolane Bezerra Santos por suspeita de atuar como “conta de passagem” em um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado ao menos R$ 1,6 bilhão.

Investigação aponta Deolane como “conta de passagem” no esquema (Foto: Reprodução/Instagram)

A investigação aponta que o grupo utilizava o setor artístico e o ambiente digital para ocultar recursos supostamente oriundos de bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico de drogas. A ação, batizada de Operação Narco Fluxo, resultou na prisão de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Chrys Dias e Raphael Sousa (da página Choquei).

De acordo com relatório de inteligência da PF, a conta de Deolane movimentou R$ 5,3 milhões entre 14 de maio e 30 de junho do ano passado. Nesse período, ela recebeu R$ 430 mil da produtora de MC Ryan SP e transferiu R$ 1,16 milhão para o Instituto Projeto Neymar Jr., além de realizar pagamentos que somam mais de R$ 1,1 milhão à empresa Sul Import Veículos.

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A PF destaca que a transferência recebida da produtora de MC Ryan “não aparenta ter justificativa comercial” e reforça a suspeita de vínculo financeiro entre os investigados. O relatório afirma que “esta transação configure uma evidência material do vínculo financeiro direto entre os dois investigados, demonstrando que o fluxo de caixa da produtora de Ryan, suspeita de misturar receitas de shows com recursos de apostas e rifas, irriga também as contas de aliados estratégicos que enfrentam investigações similares por lavagem de dinheiro e associação criminosa”.

Deolane Bezerra já havia sido presa em setembro de 2024, em Recife, em outra investigação da Polícia Civil sobre lavagem de dinheiro ligada a apostas online e empresas de fachada.

A Operação Narco Fluxo é um desdobramento de apurações anteriores, como as operações Narco Vela e Narco Bet, que investigaram o uso de apostas e empresas para ocultar dinheiro do tráfico internacional de drogas. O grupo teria ligação com o envio de mais de três toneladas de cocaína ao exterior.

Durante a ação, realizada com 200 policiais federais, foram cumpridos 33 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados.

Foram apreendidos 55 carros de luxo e motocicletas (avaliados em mais de R$ 20 milhões), 120 armas e munições, 56 itens de joias e relógios (incluindo modelos Rolex), 53 celulares, 56 mídias eletrônicas, R$ 300 mil em espécie, US$ 7,3 mil em espécie e diversos documentos.

Entre os itens de destaque estão uma Mercedes-Benz G63 rosa avaliada em R$ 2 milhões e uma réplica de um carro de Fórmula 1 da McLaren, encontradas na mansão de Chrys Dias. Na residência de MC Ryan SP, os agentes apreenderam um colar de ouro com a imagem de Pablo Escobar emoldurada pelo mapa de São Paulo.

Após as prisões, as contas oficiais de MC Ryan SP e Chrys Dias no Instagram foram retiradas do ar. O funkeiro, apontado como o artista mais ouvido do Brasil no Spotify, reunia mais de 15 milhões de seguidores, enquanto Chrys Dias somava mais de 14 milhões.

A defesa de MC Ryan SP afirma que o artista é íntegro e que todas as suas transações são lícitas, com origem comprovada. O advogado de MC Poze do Rodo informou que ainda não teve acesso aos autos, mas que se manifestará na Justiça para restabelecer a liberdade do cantor. A defesa de Raphael Sousa sustenta que seu vínculo com os investigados é estritamente publicitário. A defesa de Chrys Dias não foi localizada.

A Operação Narco Fluxo continua em andamento, com foco na desarticulação de uma organização que, segundo a PF, utilizava o setor artístico e o entretenimento digital como fachada para “limpar” recursos ilícitos por meio de técnicas como smurfing, empresas de fachada, laranjas e conversão em criptoativos.

Com informações do portal g1.

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