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Professora grava aluna adulterando garrafa com mercúrio e relata sequelas que mudaram sua rotina
Termômetro da Política
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A professora de artesanato Denny, vítima de intoxicação por mercúrio, relatou o momento em que flagrou a aluna Maria Aparecida Rodrigues de Araújo mexendo em sua garrafa de água durante uma aula. As imagens registradas por um celular escondido mostram a investigada cortando um papel com tesoura, colocando o material no recipiente, agitando a garrafa e deixando a sala. Análises confirmaram a presença do metal tóxico na água consumida pela vítima.

Cena foi gravar por meio de câmera escondida
Cena foi gravar por meio de câmera escondida (Foto: Reprodução)

Denny conta que a rotina mudou radicalmente após a intoxicação. Ela ainda enfrenta limitações físicas e depende de ajuda para tarefas básicas. “Falta de força nas mãos e as dores… As coisas mais básicas que você faz em uma casa, para mim, se tornam um sacrifício enorme. Tem uma menina que me ajuda e, quando ela não pode vir, minha mãe me ajuda”, diz Denny.

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O caso teve início em um curso de artesanato mantido no estacionamento do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, em Pernambuco. Denny atuava como professora voluntária e conhecia Maria Aparecida, que acompanhava o filho em tratamento e participava das aulas. A investigada presenteou a professora com uma garrafa de água, que ela passou a utilizar diariamente por cerca de dois meses. Nesse período, Denny notou bolhas e alteração no gosto da água, mas não suspeitou de nada grave.

A desconfiança surgiu quando flagrou a aluna manipulando o recipiente. “Eu peguei ela mexendo na minha garrafa. Aí ela se assustou e fez como se estivesse tirando ela do local e botando em outro”, conta Denny. Após esse episódio, a professora retirou pequenas partículas da boca antes de engolir a água e decidiu instalar um celular escondido para registrar o que acontecia.

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As gravações dos dias 3 e 5 de junho de 2025 mostram Maria Aparecida adulterando a garrafa. A polícia foi acionada e a garrafa foi periciada. Dois dias depois, Denny voltou ao curso com outro recipiente idêntico e voltou a filmar o mesmo comportamento. Laudos confirmaram a presença de mercúrio nas duas garrafas analisadas, além de detectar o metal no sangue e na urina da professora. No sangue de Denny foram encontrados 21 mg do metal — cerca de quatro vezes acima do limite tolerável.

Os sintomas iniciais surgiram quase um ano antes das gravações. Como Denny tem fibromialgia desde 2016, ela inicialmente associou o agravamento do quadro à doença. A reumatologista descartou essa possibilidade. O mercúrio, proibido em termômetros no Brasil desde 2019, é altamente tóxico e pode causar danos graves ao cérebro, rins, intestino e pele.

A investigação da Polícia Civil de Pernambuco busca esclarecer por quanto tempo o mercúrio foi colocado na água. Embora as imagens e os laudos sejam relevantes, o delegado responsável afirma que mais elementos estão sendo reunidos para comprovar o crime. A defesa de Denny cobra maior celeridade e informa que os laudos ficaram prontos poucos dias após o início da apuração.

Maria Aparecida nega as acusações. Sua defesa informou que ela possui transtornos mentais e está sob cuidados médicos. O delegado afirma que, até o momento, não foram apresentados documentos que comprovem o diagnóstico. A principal linha de investigação aponta para ciúmes da amizade entre Denny e o namorado da investigada.

Enquanto aguarda o desfecho do inquérito, Denny tenta recuperar a independência perdida. Ela diz que ainda não encontrou profissionais especializados no tratamento de intoxicação por mercúrio e afirma que as sequelas impactaram sua qualidade de vida. “Eu estou otimista. Eu tenho fé. Eu vou voltar. Sempre digo: eu vou voltar a andar como era antes”, diz Denny.

Com informações do Fantástico.

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Palavras-chave
envenenamento