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Países latino-americanos rechaçam ‘tentativa de controle governamental’ na Venezuela
Termômetro da Política
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O cenário diplomático internacional entrou em estado de alerta após a operação militar realizada pelos Estados Unidos em Caracas na madrugada do último sábado (3). Em um comunicado conjunto divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores no domingo (4), Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha manifestaram profunda preocupação com as “tentativas de controle governamental” sinalizadas por Washington após sequestro do presidente da Venezuela Nicolás Maduro.

Vídeo mostra momento em que Maduro foi capturado pelos Estados Unidos (Foto: Reprodução

As nações enfatizaram que a ação unilateral desrespeita os pilares da diplomacia global. “Expressamos nossa profunda preocupação e rechaço diante das ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela, as quais contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas”, afirma o texto oficial. O bloco de países alertou que a manobra constitui um precedente perigoso para a paz mundial.

A postura de Donald Trump

Do outro lado, o presidente norte-americano Donald Trump confirmou que Maduro foi retirado da Venezuela e levado para uma unidade de detenção em Nova York. Em coletiva de imprensa, Trump foi enfático ao declarar que os EUA assumirão as rédeas do país sul-americano e de sua estratégica indústria petrolífera.

“Nós vamos administrar o país até o momento em que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa”, afirmou o presidente dos EUA. Trump justificou a medida alegando a necessidade de evitar a repetição de instabilidades anteriores: “Não queremos nos envolver com alguém, e depois termos a mesma situação dos últimos anos. Então vamos administrar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e cuidados”. O mandatário não detalhou prazos para essa governança provisória e não descartou o envio de tropas terrestres.

Reação brasileira e mobilização regional

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião ministerial de emergência para avaliar os impactos da operação no país vizinho. O chanceler Mauro Vieira antecipou o fim de suas férias para coordenar a resposta brasileira e participar de uma reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) convocada para esta tarde.

A Celac, que reúne 33 nações da região, busca uma coordenação política para garantir que a crise seja resolvida sem ingerências externas. Os países reafirmaram que “apenas um processo político inclusivo, liderado pelas venezuelanas e pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática, sustentável e respeitosa da dignidade humana”. Além da mobilização regional, o Brasil confirmou presença na reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas, agendada para esta segunda-feira (5), onde a legalidade da operação norte-americana será debatida.

Com informações de portal g1.

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