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Irã ameaça intensificar repressão após escalada de protestos; Guardas Revolucionários culpam ‘terroristas’ pela violência
Termômetro da Política
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As autoridades iranianas sinalizaram neste sábado que podem endurecer ainda mais a repressão contra as maiores manifestações contra o governo em anos. Os Guardas Revolucionários, força de elite do regime, atribuíram a agitação a “terroristas” e afirmaram que vão proteger o sistema de governo teocrático.

População de Teerã protesta contra o regime (Foto: Reprodução/X/Arash Hampay)

Em comunicado transmitido pela televisão estatal, os Guardas Revolucionários acusaram “terroristas” de atacar bases militares e policiais nas duas últimas noites. Segundo o grupo, vários cidadãos e membros das forças de segurança foram mortos, enquanto propriedades públicas e privadas foram incendiadas.

O grupo de direitos humanos iraniano HRANA informou que, até o momento, há pelo menos 50 manifestantes e mais 15 membros da segurança mortos, totalizando 65 vítimas. Cerca de 2.300 pessoas já foram presas desde o início das manifestações.

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Os protestos, que começaram em 28 de dezembro em resposta ao aumento da inflação, rapidamente ganharam caráter político, com multidões exigindo o fim do governo clerical. Imagens divulgadas nas mídias sociais na sexta-feira (9) mostram grandes concentrações em Teerã, com fogos acesos nas ruas à noite. A Reuters confirmou a localização das imagens por meio da comparação de pontos de referência com fotos de satélite.

Apesar de um apagão na internet dificultar a avaliação completa da extensão da agitação, novos relatos de violência continuaram a surgir em diversas regiões do país.

Uma testemunha no oeste do Irã, contactada por telefone e que pediu anonimato por segurança, relatou que os Guardas Revolucionários estavam posicionados na área e abrindo fogo. Um médico do noroeste do país informou que, desde sexta-feira, um grande número de manifestantes feridos deu entrada nos hospitais. Alguns foram gravemente espancados, com ferimentos na cabeça, fraturas em pernas e braços e cortes profundos. Pelo menos 20 pessoas em um hospital foram baleadas com munição real, sendo que cinco delas morreram posteriormente.

Autoridades iranianas acusam os Estados Unidos e Israel de fomentarem a agitação. Um dia após o presidente norte-americano Donald Trump emitir novo aviso de que os EUA podem intervir, a oposição ganhou nova voz proeminente: Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irã, derrubado na revolução islâmica de 1979.

Em vídeo postado no X, Reza Pahlavi, de 65 anos e residente nos Estados Unidos, fez seu apelo mais enfático até agora. Ele afirmou que a República Islâmica será colocada “de joelhos” e conclamou os manifestantes a tomarem os centros de suas cidades. Pahlavi disse ainda que está se preparando para retornar em breve ao Irã.

Os protestos, que já se espalharam por várias cidades do país, representam o maior desafio ao governo clerical nos últimos anos. A resposta das forças de segurança tem sido marcada por repressão intensa, com relatos crescentes de mortes, prisões em massa e ferimentos graves entre os manifestantes.

Com informações da Agência Brasil.

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