O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, tem se destacado como a figura central da política externa agressiva do governo Donald Trump em relação a Cuba. Filho de imigrantes cubanos, Rubio ascendeu politicamente na comunidade de exilados em Miami e carrega como principal bandeira o fim do regime castrista na ilha, apesar de seus pais terem deixado Cuba anos antes da revolução liderada por Fidel Castro.

“Por mim, tudo bem!”, respondeu Trump a uma postagem na rede social X que sugeria: “Marco Rubio será presidente de Cuba”. A declaração ocorreu no domingo (11), quando o presidente americano também afirmou que Cuba não terá mais acesso ao petróleo ou ao dinheiro venezuelano e que a Venezuela não precisa mais da segurança cubana recebida em troca do combustível enviado para a ilha caribenha. Trump enfatizou que Cuba deve “fazer um acordo antes que seja tarde” e que a Venezuela não é mais um país refém, pois agora “tem os EUA, as forças armadas mais poderosas do mundo para protegê-la”.
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Em resposta, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, escreveu no X que “como qualquer país, Cuba tem o direito absoluto de importar combustível dos mercados dispostos a exportá-lo e que exerçam seu direito de desenvolver suas relações comerciais sem interferência ou subordinação a medidas coercitivas unilaterais impostas pelos EUA”.
Rubio nasceu em Miami em 1971, filho de um barman e de uma camareira de hotel. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, “Rubio se interessou pelo serviço público em grande parte por conversas com seu avô, que testemunhou como o comunismo destruiu sua terra natal”. No entanto, reportagem do Washington Post de 2011 revelou que sua família saiu de Cuba em 1956, durante o governo do ditador Fulgencio Batista, aliado dos EUA. Fidel Castro estava exilado no México na época e só retornou para organizar a guerrilha, tomando o poder em 1º de janeiro de 1959.
“A verdadeira história da migração de seus pais parece ser uma narrativa de imigração mais convencional, a de um casal que veio para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor”, escreveu o jornal. A família planejava construir uma reserva financeira para retornar à ilha, e a mãe de Rubio realizou ao menos quatro viagens a Cuba após a revolução, incluindo uma estadia de um mês em 1961. O avô se juntou à família em 1962. Todos os membros regularizaram sua situação nos EUA quase 20 anos depois, em 1975, após o nascimento de Marco.
Rubio se formou em Ciências Políticas pela Universidade da Flórida em 1993 e construiu carreira pública como presidente da Câmara dos Representantes da Flórida e senador dos EUA de 2010 a 2025. Sua ascensão foi impulsionada pelo Tea Party, ala conservadora do Partido Republicano. Ele integrou comitês importantes, como Relações Exteriores, Inteligência e Pequenas Empresas e Empreendedorismo.
Antes de ser aliado, Rubio sofreu provocações de Trump durante as primárias republicanas de 2016. O então candidato apelidou-o de “Little Marco”, em referência à altura (entre 1,73 m e 1,78 m), associando-o à imagem de jovem e inexperiente. Trump também ironizou o suor de Rubio nos debates — “Eu nunca vi um cara suar assim na vida, tragam um balde para o suor dele” — e o chamou de “peso-leve” e “ambicioso demais”.
Em novembro de 2024, Trump anunciou Rubio como secretário de Estado, tomando posse em 21 de janeiro de 2025. Ao escolhê-lo, Trump declarou: “Ele será um forte defensor da nossa nação, um verdadeiro amigo dos nossos aliados e um guerreiro destemido que nunca recuará diante dos nossos adversários. Estou ansioso para trabalhar com Marco para tornar a América e o mundo seguros e grandes novamente”.
Rubio começou a se aproximar da família Bolsonaro em 2018, por intermédio do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Após a eleição de Jair Bolsonaro, recebeu o filho e outros aliados em viagens aos EUA. O contato continuou: em julho de 2025, já como secretário de Estado, Rubio anunciou a revogação de vistos de diversas autoridades brasileiras, em discurso alinhado ao de Eduardo Bolsonaro, que vive atualmente nos Estados Unidos.
Em maio de 2025, Rubio convenceu o governo Trump a cancelar o visto do ministro da Saúde brasileiro, Alexandre Padilha, e de outros envolvidos no programa Mais Médicos, criado há mais de 10 anos no governo Dilma Rousseff, que alocava médicos cubanos em áreas remotas do Brasil por meio de convênio com Cuba.
Com informações do portal g1.