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O que se sabe sobre colisão entre trens de alta velocidade na Espanha; já são 39 mortos e dezenas de feridos
Termômetro da Política
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Ao menos 39 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em uma colisão de trens no sul da Espanha neste domingo (18), segundo a Guarda Civil espanhola. A tragédia é considerada o pior acidente ferroviário do país em mais de uma década.

Vagões de um trem com destino a Madri descarrilaram e cruzaram para os trilhos opostos, colidindo com um trem que vinha na direção oposta em Adamuz, na noite de domingo. Quatrocentos passageiros e funcionários estavam a bordo dos dois trens, informaram as empresas ferroviárias. Os serviços de emergência atenderam 122 pessoas. Destas, 48 pessoas — incluindo cinco crianças — seguem hospitalizadas. Onze adultos e uma criança estão em unidades de terapia intensiva.

Tipo de trem envolvido no acidente era um Freccia 1000, que pode atingir velocidades máximas de 400 km/h (Foto: Reprodução/X)

O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, disse que o número de mortos “ainda não é definitivo”. Puente classificou o acidente como “extremamente estranho”. Todos os especialistas ferroviários consultados pelo governo “estão extremamente perplexos com o acidente”, disse ele a repórteres em Madri.

A operadora da rede ferroviária Adif informou que a colisão ocorreu às 19h45, horário local de domingo (14h45 no horário de Brasília), cerca de uma hora depois que o trem partiu de Málaga em direção a Madri, quando descarrilou. O acidente aconteceu em um trecho reto da linha férrea perto da cidade de Córdoba que havia passado por recente renovação, tendo recebido 700 milhões de euros para a obra, segundo declarações do ministro ao jornal espanhol “El País”.

Outro fator que causou estranheza às autoridades é que o trem era considerado “praticamente novo” — tendo sido fabricado há quatro anos.

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A força do impacto empurrou os vagões do segundo trem para um aterro, disse Puente. Ele afirmou que a maioria dos mortos e feridos estava nos vagões da frente do segundo trem, que viajava de Madri para Huelva, no sentido sul.

O tipo de trem envolvido no acidente era um Freccia 1000, que pode atingir velocidades máximas de 400 km/h, disse um porta-voz da empresa ferroviária italiana Ferrovie dello Stato à agência de notícias Reuters.

As equipes de resgate disseram que os destroços retorcidos dos trens dificultaram o resgate de pessoas presas dentro dos vagões.

“Tivemos até que remover um cadáver para conseguir chegar a alguém com vida. É um trabalho difícil e complicado”, disse o chefe dos bombeiros de Córdoba, Francisco Carmona, à emissora pública espanhola RTVE.

Salvador Jimenez, jornalista da RTVE que estava em um dos trens, disse que o impacto foi como um “terremoto”.

“Eu estava no primeiro vagão. Houve um momento em que senti como se fosse um terremoto e o trem realmente descarrilou”, disse Jimenez.

Imagens do local mostram que alguns vagões tombaram para o lado. Equipes de resgate podem ser vistas escalando o trem para retirar pessoas pelas portas e janelas tortas. José, um passageiro que viajava para Madri, disse à emissora pública Canal Sur: “Havia pessoas gritando e chamando por médicos.”

Todos os serviços ferroviários entre Madri e a Andaluzia foram suspensos após o acidente e devem permanecer fechados durante toda segunda-feira (19).

A Iryo, empresa ferroviária privada que operava a viagem de Málaga, informou que cerca de 300 passageiros estavam a bordo do trem que descarrilou primeiro, enquanto o outro trem – operado pela empresa estatal Renfe – transportava cerca de 100 passageiros.

A causa oficial ainda não é conhecida. A investigação não deve ser concluída em menos de um mês, segundo o ministro dos Transportes.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, disse que o país passou por uma “noite de profunda dor”. O prefeito de Adamuz, Rafael Moreno, foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local do acidente, descrevendo a situação como “um pesadelo”.

O rei Felipe VI e a rainha Letizia disseram que acompanhavam as notícias do desastre “com grande preocupação”.

“Expressamos as nossas mais sinceras condolências aos familiares e entes queridos dos falecidos, bem como o nosso amor e votos de rápida recuperação aos feridos”, disse o palácio real em publicação no X.

A agência de emergência da região da Andaluzia pediu a todos os sobreviventes do acidente que entrem em contato com suas famílias ou publiquem nas redes sociais que estão vivos.

Postos médicos foram instalados para que os passageiros afetados pudessem receber tratamento para seus ferimentos e serem transferidos para o hospital. A Adif informou que disponibilizou espaços para os familiares das vítimas nas estações de Atocha, Sevilha, Córdoba, Málaga e Huelva.

A Cruz Vermelha Espanhola enviou serviços de apoio emergencial ao local, além de oferecer apoio psicológico às famílias das proximidades.

Miguel Ángel Rodríguez, da Cruz Vermelha, disse à rádio RNE: “As famílias estão passando por uma situação de grande ansiedade devido à falta de informações. São momentos muito angustiantes.”

O presidente da França, Emmanuel Macron, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, publicaram declarações oferecendo condolências.

“Meus pensamentos estão com as vítimas, suas famílias e todo o povo espanhol. A França está ao seu lado”, escreveu Macron nas redes sociais.

Em 2013, a Espanha sofreu o pior descarrilamento de trem de alta velocidade de sua história. O acidente aconteceu na Galícia, noroeste do país, e deixou 80 mortos e 140 feridos.

A rede ferroviária de alta velocidade da Espanha é a segunda maior do mundo, atrás da China, conectando mais de 50 cidades em todo o país. Dados da Adif mostram que a malha ferroviária espanhola tem mais de 4 mil km de extensão.

Com informações do portal g1.

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